6 de fev. de 2006

Estrada da fome

Fantástico!!!
Alguns buracos se transformam em abismos intransponíveis, intapáveis.
E lá se vão Bolsa Família, Vale Gás ou Fome Zero tentar encobrir o que não se pode.
"Pior é saber que a Operação Tapa-Tudo, está dando muito certo, antes mesmo de começar."

3 de fev. de 2006

A vida pede parada

A verticalização caiu em cima da hora, no meio do jogo. E me deu uma vontade danada de falar sobre o que vem de cima para baixo.
Por aqui caiu o mundo na cabeça de um jovem de 20 e poucos anos. Mais um jovem morto em circunstâncias de violência extrema.
- Coisa comum, dirão os menos atentos.
O mais chocante, talvez sinal dos tempos em que a juventude não tem causas pra lutar, quanto mais pra morrer, é que o jovem em questão estava aguardando a morte numa parada de ônibus. A vida pediu parada, a morte deu carona. E pela quarta vez em poucos anos, uma pessoa morre esmagada pela inércia de uma cidade que insiste em permanecer na linha.

Um pé na faixa, outro na cova

Andar na linha agora também é andar na faixa.
Educados pela TV a agir como nunca fizemos. Não conseguimos parar. Falta freio porque educação não funciona por controle remoto. E por mais que a cidade se orgulhe da telecidadania, quem paga a conta da covardia que é um herói-bom-moço morto?
Restrinja-se a crítica à campanha promovida pela Prefeitura Municipal apenas ao que toca o papel do Estado. Só cabe a crítica ao poder, cheio de boas intenções no fogo do inferno. A crítica ao pé na faixa é só revolta contra o pé na cova que João Pessoa enterrou faz tempo.

26 de jan. de 2006

Control X - Diálogos Sarcásticos

A Inconstantibilidade de Fausto

- Me passa o arroz.
- Você é muito engraçadinho.
- Obrigado, amor.
- Isso foi irônico, Fausto! I-rô-ni-co!
- Ah. Eu agradeci pelo arroz.


Recortado de tobor.blogspot.com
Mais um dos empreendimentos de João Faissal

23 de jan. de 2006

Top 6 - Os Erros Mais Comuns entre os publicitários

Ser arrogante;
Ser superficial;
Ser autofágico;
Não saber cobrar adequadamente por seu serviço;
Ter o ego maior que o talento;
Adotar a postura do "não é comigo".

17 de jan. de 2006

O paradoxo entre a vida e a morte dos índios.

Há pouco tempo, o Brasil se surpreendia com a notícia de que a população indígena crescera 150% em 10 anos.

"Em apenas uma década, a população indígena no Brasil passou de 294 mil para 734 mil, um aumento de 150%, com crescimento médio anual de 10,8%, bem acima da taxa anual de 1,6% no número de brasileiros como um todo, independente da raça ou da cor".

Já esta semana, uma estatística também surpreendente parece contradizer a realidade mediada pelas manchetes de jornal.

"Em três regiões – Sul, Centro-Oeste e Norte –, morrem mais crianças indígenas com menos de cinco anos do que índios adultos com mais de 65. 'É uma reversão da tendência natural. O comum, em todas as populações, é que a morte ocorra na terceira idade. É preciso tomar providências. Senão, dentro de algum tempo a existência da população indígena estará sob sério risco', constata Adauto Martins Soares Filho, outro pesquisador do Saúde Brasil 2005."

Exercício interpretativo à parte, há algo errado nestas notícias. Ou algum desses índices não é confiável, ou então, observe-se a imprensa em tempos de escassez de notícia e audiência.

16 de jan. de 2006

ato ou efeito de pospor

"Tome-se buraco por ausência; vácuo; vazio; lacuna. Mais que cavidade, aqui os buracos são o sinal mais latente de abandono."


Extraído do texto Operação Tapa-Tudo, escrito em meio a revolta contra o poder público. Em julho de 2004, ás vésperas da eleição para a Prefeitura Municipal de João Pessoa.

TOP 6 - Os Erros Mais Comuns entre os Clientes

Acreditar que diferencial competitivo se cria na agência;


Investir sem acreditar em suas agências;


Não saber diferenciar o que é marketing e publicidade;


Confundir posicionamento com "entender do negócio";


Achar que publicidade sozinha vende;


Confundir negociação com negociata.

seis e eu nem sei

Janeiro de 2006 - Há 6 anos iniciei minha carreira de redator em criação publicitária.
Para comemorar a data, vou fazer algumas listas, frutos de minha observação sobre o mercado, as agências e os profissionais. Vou apontar alguns dos erros em que incorri e que vi muita gente incorrer.

3 de jan. de 2006

Control X

Há um tempo atrás fui a um bloco de carnaval. Entre as tetas da massa,este folião daqui, ao perceber uma janela acesa no último andar do prédio fronteiriço, imediatamente foi acometido de pungente nostalgia.Pude mesmo ver o velhote daquela janela - eu - do alto dos meus oitenta e poucos relembrando de mim aqui, no recôncavo da juventude, entre beijos e goles, neste mesmo bloco em que me vejo ali relembrando de mim aqui sendo assistido de lá...
E então tive a certeza da vida vã. E sorvi de um gole só meia lata de cerveja. E queimei os lábios ressequidos com chá de hortelã. E entoei um samba. E bocejei com as mãos trêmulas. E beijei a menina. E fiquei melancólico com o futuro. E sorri relembrando o passado.

Trecho do livro Regurgitofagia de Michel Melamed


21 de dez. de 2005

Vale perguntar?

Mesmo com a língua presa se ouve de Brasília que o país nunca evoluiu tanto em termos sociais. Pode ser verdade, mas não dá pra fazer a conta de quanto custa manter tanta evolução. Educação, cultura, saneamento, habitação e saúde no Brasil parece só funcionar na base do decreto. Inventou-se o Fome Zero, mas já tinha o bolsa-escola e o bolsa-família. Havia o salário-família e o vale-transporte. Ahh! Mas agora tem o vale-gás. E o vale-energia, o Bolsa-Atleta, e o carro pipa, não vale?

Na terra do vale tudo, onde sobra gente que não vale nada, será que vale à pena?

Síndrome de Elba

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Unanimidade entre políticos além de burra é preocupante.
Depois da morte por inanição do Fome Zero, os políticos agora elegeram o Projeto de Transposição do São Francisco como a salvação das poucas lavouras que existem no Nordeste. Para que carros-pipa, se a transposição está aí desde o Império como um projeto viável?
Não sei se dá pra ser contra ou a favor. Falta informação mas não falta fé.
Que a oração do próprio São Francisco nos proteja desse projeto.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz e se houver maracutaia que o leve à merda.

Fecha aspas

Certa vez com alguns pinos a mais no tornozelo e muitos a menos na cabeça, tive uma idéia que me rendeu muita coisa nova, amizades, maturidade, experiências e muita história pra contar. Hoje, três anos depois, percebo a importância da dedicação e da mobilização das pessoas em torno de idéias como aquelas, sem pino.
Só assim que consigo enxergar tudo. A despeito da gostosa vaidade pelo reconhecimento de um trabalho que rendeu 9 prêmios, é na confiança e na energia das pessoas que deposito toda a alegria por estes anos de sucesso a pino.

11 de out. de 2005

de notas

Lucidez
Pior é admitir ser entusiasta e crítico ferrenho de um sistema perfeito exatamente pela imperfeição.


Se chorar, vendam lenços
E o pré-texto alivia a conseqüência da consciência.


Eu sou "mendiiingo". Me dá um "pratchicumê".
A derrota tem o dom de transformar os homens e seus atos. Como 10 milhões de empregos se transformaram numa rampa.


csf11 - o sucesso que subiu à cabeça
Alguém um dia disse: há poder nas palavras.

"- Tua flor me deu alguém pra amar. - E quanto a mim? Você assim, e eu por final sem meu lugar?"

Quem sabe um talvez?

A democracia chama: sim ou não às armas?
A confusão dos sins e nãos parece orquestrada e, já a partir daí, se verifica o quanto é perigosa a decisão: de impensada a impensável em 1 segundo.

A solução, parece, não reside na reposta da pergunta posta em referendo. Quantas outras questões aparentemente alheias ao assunto estão lá, ocultas, além do horário nobre?
Decerto entre o sim e o não, apenas a falta de conseqüência prática efetiva. Afinal, mente quem faz relação direta entre armamento/desarmamento e criminalidade. Mente quem diz defender o direito do cidadão. Mente quem faz apologia do "cidadão de bem". E, em tempos de cueca e mensalão, anda difícil confiar em quem faz o estilo "Paz e Amor.
E assim seguimos a árdua tarefa de escolher entre as mentiras e omissões mais leves.

A democracia inquiriu mas só há como responder perguntando.
No que resultará a restrição de um direito? Que espécie de Estado estará configurado depois do sim ou não? Sem o progresso e sem as armas, como manter a ordem? O "livre arbítrio" do cidadão ou a vida?

No que votar? Pelo sim, pelo não, quem sabe um talvez?

20 de set. de 2005

de notas

CARNE COM FARINHA & MARMELADA

Bem ao gosto Nordestino terminou a mega-apreensão de cocaína realizada pela Operação Caravelas da Polícia Federal no Rio: carne com farinha e uma bela marmelada de sobremesa.


O POLÍTICO E O 'CÂNCER DO SIGNIFICADO DEFINITIVO'

Deu no Le Monde. Por “Malufar demais” pai e filho estão na cadeia.
Malufar, “mais novo neologismo” significa roubar. Mas a aplicabilidade no vocabulário é riquíssima, tanto quanto as contas – que “não existem” – da dupla no exterior. Malufar pode ser prometer e não cumprir. Malufar pode ser roubar mas fazer. Pode ser reclamar da comida ruim. E também podia substituir a expressão cara-de-pau.


QUEM DISSE QUE FARINHA ENGORDA?

A modelo inglesa Kate Moss demonstrou, em vídeo gravado e publicado pelo sensacional Daily Mirror, que não. Kate provou definitivamente que uma supermodelo munida de cartão de crédito e dinheiro, é capaz de fazer muito mais do que apenas compras.

antes

A escassa memória da tenra idade confirma: nasci sem estar preparado para as coisas deste mundo. Prematuro, o meu sofrer se estendeu assim através dos tempos. Aprendi a ler antes de entender bem o que eram as letras.

Não tinha vaga nos bancos da escola. Antes que me expulsassem, ganhei um banco com meu nome. Meu irmão foi antes de mim.

Antes de brincar, eu senti que era fácil aprender. E assim me fiz acreditar. Sem esperar, fiz de meu ofício, criar. E antes que termine de expôr, preciso dispôr porque alguém antes de mim, há de se interessar.

13 de jul. de 2005

MALAS, CUECAS E EXPLOSÕES

Falar do mar de lama em que se mergulhou a política de nosso país é chutar cachorro morto. A política brasileira é suja, sem excessões. Afinal, soa como ingênua a idéia de que foram os barbudinhos do PT que criaram toda esta intrincada rede de influência que faz brotar dinheiro em malas e cuecas mundo afora.
Chegou a hora de generalizar. No Brasil, não existe político honesto. O máximo que se pode admitir como verossímil é que o político que não é ladrão, é cúmplice da roubalheira, talvez uma cumplicidade forçada pelo espírito de corpo, mas ainda assim uma conivência criminosa. É a Lei do Deixa-Que-Eu-Deixo que impera soberana na República do Faça-O-Que-Eu-Digo-Não-Faça-O-Que-Eu-Faço.

O extrato realmente relevante desta crise está na descrença das pessoas nas chamadas instituições. Ninguém mais acredita na encenação teatral em que se transformou a democracia republicana, o público não engole mais monólogos extensos, discursos inflamados, propostas politicamente corretas, posições aparentemente coerentes. Todo mundo sabe que em político não se pode confiar. Todo mundo sabe que funcionário público não trabalha. Todo mundo sabe que todo Governo paga por apoio, a diferença está apenas na moeda. O que mais impressiona nesta crise é o quanto ridícula é a nossa representação, a escória moral transmitida ao vivo e narrada com todos os vossas senhorias e excelências a que se tem direito. É a causa pública achincalhada pela privada, é um show de horror e humor ao mesmo tempo. Parece o fim anunciado de um mundo que sabe de tudo e finge não saber de nada. É o ônibus que explode em Londres, é a mala de dinheiro para pagar fornecedores, é a coroação do cinismo como bem maior da pós-modernidade.

Para quem como eu, um dia acreditou que o PT fosse um partido diferente, cabe o conselho: por mais verdadeiros que eles possam parecer, não acredite em símbolos!

12 de mar. de 2005

DESLIGUE A TELEVISÃO E VÁ LER UM LIVRO !

Há mais em nossa TV do que as subestimantes novelas. Assistir à TV pode ser um exercício educativo dos mais surpreendentes, mesmo que seja no mais improvável dos horários: o famigerado domingo à tarde.

Além da preguiça, o tédio é outro estimulante perigoso para que o cidadão incorra na aventura de tentar achar algo construtivo no domingo à tarde. Mas eu tentei. Passei de passagem pelos golpes de Chuck Norris, me esquivei da vida de princesa que alguém resolveu levar e pus na MTV. Me deparei com uma tela preta com letras garrafais acompanhadas de um bip contínuo e uma voz que se repetia randomicamente imperativa: Desligue a televisão e vá ler um livro!
Foi surpreendente. Tanto quanto chato. Afinal eu estava com pelo menos três casos de leitura incompletos por preguiça.

Não desliguei a TV.
– “Não vai me enganar”.
Mudei de canal e pus no futebol. O jogo nem era do meu time, muito pelo contrário. Mas mesmo assim foi um alívio, ao menos momentâneo. Porque, pouquíssimo tempo depois, percebi que a iniciativa educativa e/ou construtiva não parou apenas na porra-louquice da MTV. Enquanto os torcedores preparavam os bandeirões no estádio e em milhões de lares, o "típico macho brasileiro" ia à geladeira pegar a cerveja pra assistir o futebol, um anúncio alertava para o uso consciente do crédito: – “Só use seu cheque em situações realmente especiais. Afinal, por isso que ele é chamado de cheque especial”.
Por si já seria extraordinário. Levando em conta então, que o anunciante deste íntegro comercial era um banco, ( talvez o maior banco particular do país) o episódio ganha contornos de "Além da Imaginação".

O que será que está acontecendo no mundo?
Parei um instante para analisar isso tudo e cheguei a inúmeras respostas pouco conclusivas: A TV mediando um mundo que mudou; um chute nos modelos prontos a serem seguidos pelos jovens estudantes de comunicação; um soco na boca do estômago de publicitários engraçadinhos; uma ode ao consumidor moderno, consciente e responsável; um mea culpa tardio do sistema; ou talvez nada disso...

Voltei ao bom e velho futebol porque, por enquanto, não dá pra acreditar que a revolução vai passar na TV. Pelo menos ao vivo, não. Quem sabe só os melhores momentos?

26 de fev. de 2005

IDÉIAS | LETRAS | ESTILO

O CSF11 está de cara nova.

A reformulação visual contou com a sensibilidade e o latente senso de curiosidade do meu brother Léo, com sugestões de muitos outros amigos, e a inestimável contribuição do meu camarada "Homem Gráfico".

O visual lembra a Coca-Cola com uma porção de elementos da Pop Art de Warhol, e figuras retiradas das obras do artista plástico Chinês, Wang Guangyi.
Vale à pena conferir algumas das obras desse artista...Se você tiver um pouvo de paciência, tempo e curiosidade, entra no google e perceba que o cara teve uma idéia muito interessante: juntar através do visual, o que há de comum e incomum entre capitalismo-imperialista e comunismo-maoísta.

Pretendo mandar um mini-boletim com algumas mudanças de conteúdo que estou estudando para o CSF11, mas por enquanto vou postar textos que ficaram guardados ou semi-finalizados durante esse tempo de ausência.