25 de mar. de 2006

Estilo Black Music

Entre idéias, letras e estilo. O terceiro tópico que subnomeia o presente blog anda deveras ausente.
No quesito música, acabei de receber uma ótima dica, de uma ótima fonte.

O site Saravá Club tem um ótimo acervo de black music, funk, hip hop, brazillian lounge, bossa nova, rap e também espaço para posts sobre um pouco de cinema. O melhor de tudo é que você pode fazer os downloads de mp3 completamente grátis.

Baixem por lá.

24 de mar. de 2006

O vôo baixo do Falcão

Em Falcão – Os meninos do tráfico, documentário exibido no Fantástico e produzido pela Central Única das Favelas, assusta a institucionalização da cultura do crime.

A violência é retratada de maneira absurdamente natural. Traços culturais que, de tão presentes, ganham ares de característica antropológica. É como se assistíssemos ao surgimento de um novo ente social, um elo perdido entre a pobreza do sertanejo descrito por nossa literatura e a aspereza de um urbanóide anestesiado pela vida de violência perene.

O documentário se supera por expôr o problema do tráfico de drogas por uma outra perspectiva: a da falta de perspectiva. Comunidades inteiras à margem do Estado lutando para se afastar dos novos e evidentes valores $ociai$. O relato frio de uma infância invisível, de uma população forte entregue à sina “de nascer devendo, viver querendo e ainda assim não se vender”.

Exercite as idéias

“Não confio em ninguém que freqüenta academia”

Danuza Leão - Jornalista e Escritora

Santo de casa

Um simples caseiro elevado à condição de principal atração de um circo em chamas. Protótipo e estereótipo, de herói nacional.
Na verdade, entregue aos leões ou à própria sorte. Exposto como prova irrefutável de um crime. Dono de uma dignidade posta à prova, na calada da noite, por um Brasil que se proclama de todos.
Prova irrefutável mesmo, de como políticos costumam tratar o povo.

16 de fev. de 2006

Control X - João Bobo

É muito chato. Tudo bem, a gente entende, todo mundo é assim, todo mundo balança. Até a terra, que gira, também dá lá suas balançadinhas. Mas é cansativo conviver com pessoas que vivem num eterno equilíbrio instável, como um João Bobo.

O João Bobo, você sabe, é um brinquedo composto por uma base sólida bem pequena e um ego inflado de ar. Aos olhos de quem vê o João Bobo parece imenso, mas basta um sopro pra ele sair do prumo.

E os habitantes do planeta terra neste século XXI parecem estar atacados por uma síndrome do João Bobo. Base sólida ninguém tem, nem de caráter, nem de ética, só um saquinho de areia no fundo. Sobre ele, constroem egos inchados de vento, achando que alcançaram o topo do mundo. Mas na primeira buzinada no trânsito, na primeira frustração num guichê, perdem a cabeça. E saem gritando, xingando,atirando. As mulheres atacadas pelo efeito João Bobo, ficam histéricas e oscilam pendularmente pela menor bobagem.

Se fosse só no plano pessoal, não seria tão grave. Mas o que dizer de uma guerra deflagrada por charges num jornal? De histerias de fãs e fanáticos que culminam em mortes? É triste, mas estamos muito desequilibrados. Não que a solução seja ficar sentado sob uma figueira mas um pouco de silêncio e meditação pode ajudar na busca pelo equilíbrio.

O silêncio acalma a mente, esvazia a ansiedade, desincha o ego, lava a alma. Aplaca os desejos. E ficar quieto, sentado sobre os ísquios, respirando pausadamente, fortalece a musculatura, corrige a coluna e tonifica o corpo. Muito melhor do que viver balançando como um João bobo.

Por Rosana Hermann

Recortado do excelente http://blonicas.zip.net

6 de fev. de 2006

Estrada da fome

Fantástico!!!
Alguns buracos se transformam em abismos intransponíveis, intapáveis.
E lá se vão Bolsa Família, Vale Gás ou Fome Zero tentar encobrir o que não se pode.
"Pior é saber que a Operação Tapa-Tudo, está dando muito certo, antes mesmo de começar."

3 de fev. de 2006

A vida pede parada

A verticalização caiu em cima da hora, no meio do jogo. E me deu uma vontade danada de falar sobre o que vem de cima para baixo.
Por aqui caiu o mundo na cabeça de um jovem de 20 e poucos anos. Mais um jovem morto em circunstâncias de violência extrema.
- Coisa comum, dirão os menos atentos.
O mais chocante, talvez sinal dos tempos em que a juventude não tem causas pra lutar, quanto mais pra morrer, é que o jovem em questão estava aguardando a morte numa parada de ônibus. A vida pediu parada, a morte deu carona. E pela quarta vez em poucos anos, uma pessoa morre esmagada pela inércia de uma cidade que insiste em permanecer na linha.

Um pé na faixa, outro na cova

Andar na linha agora também é andar na faixa.
Educados pela TV a agir como nunca fizemos. Não conseguimos parar. Falta freio porque educação não funciona por controle remoto. E por mais que a cidade se orgulhe da telecidadania, quem paga a conta da covardia que é um herói-bom-moço morto?
Restrinja-se a crítica à campanha promovida pela Prefeitura Municipal apenas ao que toca o papel do Estado. Só cabe a crítica ao poder, cheio de boas intenções no fogo do inferno. A crítica ao pé na faixa é só revolta contra o pé na cova que João Pessoa enterrou faz tempo.

26 de jan. de 2006

Control X - Diálogos Sarcásticos

A Inconstantibilidade de Fausto

- Me passa o arroz.
- Você é muito engraçadinho.
- Obrigado, amor.
- Isso foi irônico, Fausto! I-rô-ni-co!
- Ah. Eu agradeci pelo arroz.


Recortado de tobor.blogspot.com
Mais um dos empreendimentos de João Faissal

23 de jan. de 2006

Top 6 - Os Erros Mais Comuns entre os publicitários

Ser arrogante;
Ser superficial;
Ser autofágico;
Não saber cobrar adequadamente por seu serviço;
Ter o ego maior que o talento;
Adotar a postura do "não é comigo".

17 de jan. de 2006

O paradoxo entre a vida e a morte dos índios.

Há pouco tempo, o Brasil se surpreendia com a notícia de que a população indígena crescera 150% em 10 anos.

"Em apenas uma década, a população indígena no Brasil passou de 294 mil para 734 mil, um aumento de 150%, com crescimento médio anual de 10,8%, bem acima da taxa anual de 1,6% no número de brasileiros como um todo, independente da raça ou da cor".

Já esta semana, uma estatística também surpreendente parece contradizer a realidade mediada pelas manchetes de jornal.

"Em três regiões – Sul, Centro-Oeste e Norte –, morrem mais crianças indígenas com menos de cinco anos do que índios adultos com mais de 65. 'É uma reversão da tendência natural. O comum, em todas as populações, é que a morte ocorra na terceira idade. É preciso tomar providências. Senão, dentro de algum tempo a existência da população indígena estará sob sério risco', constata Adauto Martins Soares Filho, outro pesquisador do Saúde Brasil 2005."

Exercício interpretativo à parte, há algo errado nestas notícias. Ou algum desses índices não é confiável, ou então, observe-se a imprensa em tempos de escassez de notícia e audiência.

16 de jan. de 2006

ato ou efeito de pospor

"Tome-se buraco por ausência; vácuo; vazio; lacuna. Mais que cavidade, aqui os buracos são o sinal mais latente de abandono."


Extraído do texto Operação Tapa-Tudo, escrito em meio a revolta contra o poder público. Em julho de 2004, ás vésperas da eleição para a Prefeitura Municipal de João Pessoa.

TOP 6 - Os Erros Mais Comuns entre os Clientes

Acreditar que diferencial competitivo se cria na agência;


Investir sem acreditar em suas agências;


Não saber diferenciar o que é marketing e publicidade;


Confundir posicionamento com "entender do negócio";


Achar que publicidade sozinha vende;


Confundir negociação com negociata.

seis e eu nem sei

Janeiro de 2006 - Há 6 anos iniciei minha carreira de redator em criação publicitária.
Para comemorar a data, vou fazer algumas listas, frutos de minha observação sobre o mercado, as agências e os profissionais. Vou apontar alguns dos erros em que incorri e que vi muita gente incorrer.

3 de jan. de 2006

Control X

Há um tempo atrás fui a um bloco de carnaval. Entre as tetas da massa,este folião daqui, ao perceber uma janela acesa no último andar do prédio fronteiriço, imediatamente foi acometido de pungente nostalgia.Pude mesmo ver o velhote daquela janela - eu - do alto dos meus oitenta e poucos relembrando de mim aqui, no recôncavo da juventude, entre beijos e goles, neste mesmo bloco em que me vejo ali relembrando de mim aqui sendo assistido de lá...
E então tive a certeza da vida vã. E sorvi de um gole só meia lata de cerveja. E queimei os lábios ressequidos com chá de hortelã. E entoei um samba. E bocejei com as mãos trêmulas. E beijei a menina. E fiquei melancólico com o futuro. E sorri relembrando o passado.

Trecho do livro Regurgitofagia de Michel Melamed


21 de dez. de 2005

Vale perguntar?

Mesmo com a língua presa se ouve de Brasília que o país nunca evoluiu tanto em termos sociais. Pode ser verdade, mas não dá pra fazer a conta de quanto custa manter tanta evolução. Educação, cultura, saneamento, habitação e saúde no Brasil parece só funcionar na base do decreto. Inventou-se o Fome Zero, mas já tinha o bolsa-escola e o bolsa-família. Havia o salário-família e o vale-transporte. Ahh! Mas agora tem o vale-gás. E o vale-energia, o Bolsa-Atleta, e o carro pipa, não vale?

Na terra do vale tudo, onde sobra gente que não vale nada, será que vale à pena?

Síndrome de Elba

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Unanimidade entre políticos além de burra é preocupante.
Depois da morte por inanição do Fome Zero, os políticos agora elegeram o Projeto de Transposição do São Francisco como a salvação das poucas lavouras que existem no Nordeste. Para que carros-pipa, se a transposição está aí desde o Império como um projeto viável?
Não sei se dá pra ser contra ou a favor. Falta informação mas não falta fé.
Que a oração do próprio São Francisco nos proteja desse projeto.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz e se houver maracutaia que o leve à merda.

Fecha aspas

Certa vez com alguns pinos a mais no tornozelo e muitos a menos na cabeça, tive uma idéia que me rendeu muita coisa nova, amizades, maturidade, experiências e muita história pra contar. Hoje, três anos depois, percebo a importância da dedicação e da mobilização das pessoas em torno de idéias como aquelas, sem pino.
Só assim que consigo enxergar tudo. A despeito da gostosa vaidade pelo reconhecimento de um trabalho que rendeu 9 prêmios, é na confiança e na energia das pessoas que deposito toda a alegria por estes anos de sucesso a pino.

11 de out. de 2005

de notas

Lucidez
Pior é admitir ser entusiasta e crítico ferrenho de um sistema perfeito exatamente pela imperfeição.


Se chorar, vendam lenços
E o pré-texto alivia a conseqüência da consciência.


Eu sou "mendiiingo". Me dá um "pratchicumê".
A derrota tem o dom de transformar os homens e seus atos. Como 10 milhões de empregos se transformaram numa rampa.


csf11 - o sucesso que subiu à cabeça
Alguém um dia disse: há poder nas palavras.

"- Tua flor me deu alguém pra amar. - E quanto a mim? Você assim, e eu por final sem meu lugar?"

Quem sabe um talvez?

A democracia chama: sim ou não às armas?
A confusão dos sins e nãos parece orquestrada e, já a partir daí, se verifica o quanto é perigosa a decisão: de impensada a impensável em 1 segundo.

A solução, parece, não reside na reposta da pergunta posta em referendo. Quantas outras questões aparentemente alheias ao assunto estão lá, ocultas, além do horário nobre?
Decerto entre o sim e o não, apenas a falta de conseqüência prática efetiva. Afinal, mente quem faz relação direta entre armamento/desarmamento e criminalidade. Mente quem diz defender o direito do cidadão. Mente quem faz apologia do "cidadão de bem". E, em tempos de cueca e mensalão, anda difícil confiar em quem faz o estilo "Paz e Amor.
E assim seguimos a árdua tarefa de escolher entre as mentiras e omissões mais leves.

A democracia inquiriu mas só há como responder perguntando.
No que resultará a restrição de um direito? Que espécie de Estado estará configurado depois do sim ou não? Sem o progresso e sem as armas, como manter a ordem? O "livre arbítrio" do cidadão ou a vida?

No que votar? Pelo sim, pelo não, quem sabe um talvez?