a coca-cola foi criada para servir como xarope e virou ícone da indústria cultural. um incêndio no milharal criou a pipoca. ou seja, nem se importe em procurar sentido em tudo porque em um simples comando sua vida muda pra sempre
28 de mar. de 2012
O símbolo Edmundo
Hoje, 28 de março, é o dia em que Edmundo se despede do futebol vestindo a camisa 10 do Vasco. Na verdade, o Edmundo se aposentou no dia 07 de dezembro de 2008, data em que o Vasco foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Dizem que o jogo de hoje é "apenas" simbólico, como se isso fosse pouco. Aliás, reside aí um dos porquês do jogo pintado de cinza - e recheado de estatísticas como assistências e distância percorrida no campo, em que se transformou o futebol. O que há de mais importante no jogo de bola do que sua simbologia?
O Edmundo que se despede hoje ganhou "só um título de expressão" com a camisa do Vasco, é o mesmo que balançou os bagos para a Força Jovem quando jogava no Flamengo, perdeu o penalti mais importante da história do Vasco, é o mesmíssimo jogador que já vi abandonar o campo com raiva do time em uma partida contra o Santos em São Januário. Objetivamente teríamos motivos de sobra para odiá-lo, mas não, Edmundo é amado pela torcida do Vasco. E a resposta é simbólica: a torcida do Vasco se via no jogo do Edmundo. Os jovens sentiam-se representados por sua rebeldia imatura, os pais, tios e avós gostavam de dividir o afeto ora destinado a filhos, sobrinhos e netos, perdoando cada nova explosão de mimo ou raiva do Edmundo, temperamental.
Símbolo desse futebol anárquico, o último amador. Infelizmente, esta espécie não tem mais vez no mundo do futebol, mas se mantém intacta no coração dos torcedores.
Ahh é Edmundo!
30 de dez. de 2011
2011: tente enxergar pelo lado bom.
Já vivemos o suficiente para desmoralizar ao menos duas profecias sobre o juízo final. Por isso proponho que a lente usada para fazer a retrospectiva de 2011 seja trocada e que este ano seja visto pela ótica dos bons olhos.
O ETA, grupo separatista basco, anunciou o fim de suas atividades terroristas. De espanador na mão, Dilma Roussef demitiu 6 ministros acusados de corrupção em 2011. Já no apagar das luzes, a consagração: o Brasil ultrapassou a Inglaterra e tornou-se a sexta economia do mundo.
No ano em que as agências de risco rebaixaram os EUA, Obama anunciou o fim das invasões no Iraque e no Afeganistão. Muitos americanos indignados "ocuparam Wall Street" e a primavera árabe segue, em pleno verão tropical, derrubando velhos ditadores.
Na Itália, apesar das más notícias na economia, Silvio Berlusconi renunciou. E mesmo no Japão - palco do maior desastre natural do ano, onde mais de 10 mil pessoas perderam a vida, há motivos para sorrir: o acidente nuclear em Fukushima fez com que a Alemanha anunciasse o fechamento de todas as suas usinas nucleares
Bin Laden e Kadafi estão mortos, a Rocinha e o Complexo do Alemão foram pacificados, Cássio está no Senado e nas redes sociais ninguém foi tão lido e citado quanto Clarice Lispector.
Você tem motivos de sobra para acreditar que o mundo está melhor, não?
16 de set. de 2011
Aos inimigos, a lei.
Estamos em um cenário paradisíaco no Brasil: Porto Seguro, Bahia. Um grupo de pessoas ricas e bem sucedidas festeja o fim de semana enquanto fazem um traslado de helicóptero para um resort em Trancoso. Como há muitas pessoas, a aeronave precisa fazer duas viagens: o primeiro grupo chega em segurança, mas um terrível acidente impede que as pessoas felizes do segundo grupo - entre elas, a nora do atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho - cheguem ao seu destino.
O acaso aquece o que seria o noticiário de um domingo qualquer de inverno brasileiro: descobre-se que o piloto estava com a habilitação vencida há 6 anos; o Governador do Rio afirma em nota oficial que vai até a Bahia acompanhar as buscas; o prefeito de Porto Seguro diz a um jornal de Salvador que encontrou com Sérgio Cabral passeando na cidade um dia antes do acidente; O Globo noticia que Sérgio Cabral viajou até a Bahia no jatinho do empresário Eike Batista... E assim, a comovente história de um acidente que ceifou a vida de jovens, senhoras e crianças de colo se revela numa trama que ajuda a explicar um dos flagelos brasileiros: a promíscua relação entre entes públicos e a iniciativa privada.
Em João Pessoa, um grupo de arrojados empresários demonstram, ao longo dos anos, muito interesse em construir um shopping na Zona Sul da cidade. Muitas das construções mais importantes daquela região são do Governo do Estado como Detran e Acadepol, por exemplo.
Dizem que o pernambucano Gilberto Freyre escreveu sua obra-prima Casa-Grande e Senzala porque não conseguia explicar o que era o Brasil aos colegas de estudo no exterior. A capacidade de relativização moral e a astúcia individualista do brasileiro na sua relação entre o público e o privado realmente confundem quem não está afeito aos modos nos trópicos.
21 de jun. de 2011
Crônica do noticiário e as notas noticiosas
24 de fev. de 2011
1.0 >2.0

19 de ago. de 2010
24 anos andando em círculos – O que a história tem a dizer sobre as eleições de 2010 na Paraíba

A primeira eleição que acompanhei na Paraíba foi em 1986. A efervescência pós-diretas-já era contagiante, ainda havia o lamento pela diverticulite que solapara Tancredo Neves da cadeira de presidente, mas a redemocratização era irreversível e, na época, ninguém ligava em ser fiscal do Sarney. O plano cruzado, que tentava derrubar a inflação, se mostrou infalível como cabo eleitoral e o PMDB venceu a eleição em todos os Estados, menos em Sergipe. Ainda hoje, os peemedebistas podem ser considerados integrantes do maior partido do país: é a maior bancada do Congresso Nacional e governa 9 estados.
No Brasil, de Sarney a Lula, pode-se dizer que 4 partidos já ocuparam a Presidência da República: PMDB, PRN, PSDB e PT. Depois de cumprir 5 anos de mandato, o bigode imortal de Sarney(PMDB) cedeu lugar ao caçador de marajás Fernando Collor de Melo (PRN) que logo depois renunciou no meio de um processo de impeachment. Itamar Franco (PMDB) derrubou a inflação com o topete, Fernando Henrique (PSDB) levou a fama, vendeu a tese da reeleição e cá estamos sob a batuta firme do companheiro Lula (PT).
Na Paraíba, a história anda em círculos. De 86 para cá, nada mudou. Os atores fingem, mas a trama é a mesma – um mesmo núcleo de poder se engalfinha num embate que já teve de tudo: traição arquitetada, acordo de cavalheiros, atentado à bala, dossiês preparados, alianças feitas e desfeitas e até cassação. Mas o mesmo PMDB que elegeu Burity em 1986, em algum momento já abrigou embaixo da saia todos os aliados e adversários de hoje. O PSDB, dissidência de figuras proeminentes do PMDB de São Paulo, na Paraíba apenas acomodou o espólio da crise do Clube Campestre: o grupo dos Cunha Lima, que bateu em retirada após o cisma com o atual Governador José Maranhão, escolheu o PSDB no melhor estilo “não tem tu, vai tu mesmo”.
Pode-se dizer, portanto, que a única novidade, em pelo menos 20 anos de política partidária na Paraíba, foi o surgimento da liderança de Ricardo Coutinho, que de vereador a prefeito de João Pessoa, construiu uma trajetória política de independência e de realizações indiscutíveis.
Fica claro ao se esboçar tal quadro histórico que Ricardo Coutinho já era, bem antes das definições que resultaram na atual composição política das eleições, um forte candidato ao Palácio da Redenção. Basicamente porque a coligação entre tucanos e democratas apresentava evidente estremecimento pelo episódio da cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima e, depois, pelas claras mensagens enviadas do próprio ninho tucano dando conta de uma iminente cisão entre o PSDB de João Pessoa e o de Campina Grande. Entre os democratas, havia o desgaste natural de Efraim Morais, cada vez mais ligado a escândalos no Congresso e à atuação de forte oposição ao Governo Lula. O cenário do jogo para 2010 era: Maranhão com um mandato curto e vários impeditivos, fazendo frente a Ricardo e seu mandato de realizações e um projeto falido de aliança entre PSDB e PFL.
"Aliança tirou protagonismo histórico de Ricardo"
O tempo passou e hoje Ricardo Coutinho encabeça chapa na companhia de Efraim Morais e Cássio Cunha Lima, de olho na interiorização de suas bases eleitorais e no fortalecimento de sua imagem junto ao eleitorado de Campina Grande. Entretanto, me parece que a opção pela formalização da aliança com o DEM e o PSDB desconsiderou o contexto histórico, neutralizou o discurso e, principalmente, tirou de Ricardo o protagonismo de ser o único candidato contra o atraso histórico da Paraíba. Ele viu aportar em sua agenda, ações e eventos que em nada casam com sua biografia, como o coro que fez ao bordão “Deixa o povo votar” que, na verdade, era eufemismo para campanha contra a Ficha Limpa. A estratégia eleitoral de Ricardo desconsiderou os prováveis estragos em sua imagem mirando apenas nos ganhos; quando na verdade, o arranjo com cara de gambiarra traz muito mais prejuízos do que benefícios.
Os feitos da administração de Ricardo Coutinho em João Pessoa se devem basicamente à ascensão de um novo modelo de gestão baseado na mudança do perfil de servidor público. Quando Ricardo assumiu a Prefeitura levou junto pessoas com novas ideias, geradas por cabeças arejadas não acostumadas aos vícios do que o funcionalismo tem de pior. Posso dar o testemunho isento porque vi vários colegas, professores, intelectuais, artistas e sindicalistas assumirem cargos na administração, muitos em cargos de liderança. Some-se a isto, a mudança em nível federal que levou muitos quadros da esquerda ao controle de autarquias e estatais, criou-se um ambiente fértil para que florescesse em João Pessoa um estilo de governo reformador e progressista. Tudo isso foi subestimado em detrimento de um suposto ganho de densidade eleitoral.
A aliança tenta a fórceps unir gente que se serve do Estado há décadas com jovens responsáveis pela implantação de um modelo de gestão focado no interesse público. Uma situação difícil de engolir para os aliados históricos de Ricardo, mas que desceu goela abaixo, foi digerida e regurgitada em forma de uma retórica que lembra a moral da história contida em uma das brilhantes frases do publicitário Eugênio Mohallem: “planejamento serve para guiar as campanhas de sucesso e não para justificar as péssimas”.
12 de ago. de 2010
Dupla penetração em 140 caracteres - como um redator mudou o posicionamento de uma pornstar

2 de jul. de 2010
A morte anunciada pela crônica
Antes de incorrer no erro de sucumbir à sedução quase irresistível de chutar cachorro morto, é preciso analisar o contexto da chegada de Dunga à seleção para poder entender um pouco sobre sua episódica saída. Em 2006, chegávamos à Alemanha para disputar uma Copa do Mundo como protagonistas do Jogo Bonito: Dunga era comentarista da TV Bandeirantes, Ronaldinho Gaúcho, o melhor do mundo e contávamos com um inegável favoritismo credenciado por entre outras vitórias, uma goleada de 4x1 sobre a Argentina, na final da Copa das Confederações.
A Copa do Mundo começou, o Brasil fez jogos insossos contra adversários fracos até sair nas mesmas quartas-de-finais de agora. E onde Dunga entra nessa história? Entra pelo mesmo lugar em que saíram Roberto Carlos ajeitando a meia e Felipe Melo tirando a munhequeira: a porta-dos-fundos. A proverbial porta-dos-fundos, por onde entraram também teses como a “escalação forçada” de Ronaldo em 98 e o bode expiatório da preparação desastrada em Weggis. Tudo para encobrir o verdadeiro problema: insistir no erro para travesti-lo de coerência.
Assim como Parreira, que preferiu contrariar as evidências e morreu abraçado com o peso extra que carregou no embarque à Copa, Dunga também preferiu se entrincheirar em suas convicções. Chegou à seleção como exterminador do Jogo Bonito, talhado para fazer contra-ponto a tudo que a seleção de 2006 tinha – de bom e de ruim, deu subsídios para a metamorfose da seleção em time de guerreiros: forjados no sofrimento e com sede de justiça, à imagem de seu comandante, prontos para se impor aos inimigos – não necessariamente vencê-los.
Apostou tudo na arte da guerra, na eficiência do futebol circunstancial e privou seus guerreiros dos encantos da arte de seduzir.
Hoje, Dunga tira o time de campo com muito mais acertos do que erros. A maior de suas vitórias foi devolver o orgulho aos jogadores que vestem a camisa da seleção. Uma vitória sua, compartilhada a fórceps por muita gente. Agora ao perder, Dunga devia se dar conta de que um time, as vezes, não precisa de inimigos para perder uma Copa – nem os reais com 11 jogadores em campo, nem os imaginários que atormentam o espírito sem que câmeras e microfones os captem.
21 de jun. de 2010
O politicamente correto invadiu o campo
A "absurda imoralidade" da vez no país dos ficha-suja foi o uso de expediente ilegal (o braço) por parte do atacante Luiz Fabiano ao marcar o segundo gol do Brasil contra Costa do Marfim. Os recém-nomeados guardiões dos bons costumes protestam contra a passividade da imprensa que estaria relativizando as críticas ao árbitro que não anotou irregularidade no lance do gol. Segundo esse pessoal que cobra mais do Dunga do que do Lula, é imoral exigir justiça no lance de Henry - que usou a mão para levar a França à Copa, e calar quando há situação idêntica no belíssimo gol brasileiro anotado pelo Fabuloso.
O problema é que não há nada de errado no que fizeram Henry e Luiz Fabiano. Pelo menos não do ponto de vista esportivo, porque o uso de artificios em busca de vantagens competitivas dentro do campo não é novidade, nunca foi em nenhum esporte de alto rendimento, talvez com a exceção do tênis em que comportamentos desse tipo são - antes de severamente punidos pela opinião pública, vistos como desrespeito e deselegância para com o adversário. O que há de novo é esse movimento orquestrado e equivocado de tentar transformar um lance de disputa esportiva numa crônica do que se vive fora do campo. Como se lá no gramado não houvesse mecanismos, como o árbitro e seus auxiliares, para julgar se há ou não boa fé nos lances. Mas a mania de dar lição de moral no comportamento alheio criou monstrengos burocráticos como Tribunal de Justiça Desportiva, a tese canhestra do campeão moral ou ainda a estapafúrdia teoria de que, em ano de Copa, quando a seleção vence a situação ganha a eleição.
Ao que parece, o tempo passou e o futebol involuiu, pelo menos no Brasil: onde jornalista e comentarista de futebol cobram resultado a qualquer custo mas bradam por justiça no pior estilo policialesco, exigindo "atitudes enérgicas das autoridades contra a violência" quando alguém se excede na disputa. Os mesmos jornalistas que alimentam a tese do futebol-carcará-pega-mata-e-come e depois reclamam quando técnicos agem como se time e torcida fossem peças de tabuleiro.
O politicamente correto invadiu o campo junto com um ranso moralista e subdesenvolvido, de gente que terceiriza a responsabilidade de mudar o Brasil e se mete a legislar sobre aquilo que o país tem de mais original. Essa gente que enche a boca para dizer que o Brasil não vai pra frente por causa do carnaval e do futebol.
Futebol é só um jogo. O assunto mais importante dentre os menos importantes, mas ainda assim apenas um jogo. Paradoxalmente, carnaval e futebol são traços marcantes de nossa identidade justamente porque nunca foram levados à ferro e fogo.
8 de mar. de 2010
Para homenagear as mulheres decidimos puxar a orelha dos homens.
A resposta é tão difícil que daria até para fazer um filme. Não é a toa que deu mesmo. E dos bons: a história de um machão convicto que, subitamente após ser eletrocutado, passa a escutar tudo o que as mulheres pensam.
A essa altura quem deve estar pensando é você: – Peraí, que história é essa de filme, de choque? Não era só um puxão de orelhas, não?
Calma, calma. A história do filme serve pra você, homem, entender como é importante saber compreender as mulheres.
Voltando a resposta da pergunta e , consequentemente à história do filme, o machão que tomou o choque, passa a se dar muito bem: melhora o relacionamento com a filha, é promovido, recebe um aumento e conquista a chefe. Tudo isso só porque começou a aplicar em sua vida, o que aprendeu ouvindo as mulheres.
Pronto. Ouvir as mulheres é uma espécie de moral da história, nosso puxão de orelhas acaba aqui. Mas aí você é que deve estar se perguntando: o filme acabou? E a resposta, do que as mulheres gostam? E aí?
E aí que você já está de parabéns, só em ter chegado até aqui. Mas, a gente não contou o final do filme porque é falta de educação. E não respondemos a pergunta porque não sabemos de todas as respostas.
Só sabemos de algumas, uma delas é que só existe um dia dedicado a todas mulheres para lembrar que você precisa dedicar todos os outros a cada uma delas. Agora que você leu um anúncio e ganhou uma dica de filme inteiramente grátis: seja gentil, cortês e educado com as mulheres. Quem sabe no ano que vem você ganhe algo melhor do que um puxão de orelhas.
>>>>>>
PS.: O texto acima foi criado para um anúncio em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O anúncio saiu, o texto, não. Para reprovar o texto, o cliente alegou: "o meu público não lê jornal".
31 de dez. de 2009
Retroperspectiva 2009/2010 - A crônica do noticiário
No mundo não teve acordo, a COP15 acabou cheia de boas intenções e o inferno na terra garantiu quorum permanente. Obama ganhou o Nobel da paz no mesmo ano em que mandou mais soldados ao Afeganistão e só sossegou quando se certificou de que Kanye West não compareceria ao discurso de agradecimento em Oslo.
Confuso diante de tantos tacos, bolas e buracos, Tiger Woods pulou a cerca. Roger Federer casou, chegou a final de 4 Grand Slams, ganhou 2 e teve gêmeas, enquanto isso no Flamengo, Adriano faltou a um treino para fazer vasectomia.
No ano das redes sociais Michael Jackson morreu antes no twitter, soubemos que Sacha foi alfabetizada em Inglês ao dizer que faria uma “sena com uma cobra” e na Paraíba, Maranhão determinou: –“Twitter é coisa de desocupado”.
No Rio, o tráfico derrubou helicóptero, em São Paulo fecharam o cerco aos fumantes e a Cracolândia virou franquia com unidades espalhadas por todo o Brasil.
Para, supostamente, salvar o erotismo Fernanda Young desfilou sua inteligência nas páginas de Playboy, tempos depois Leila Lopes cometeu suicídio.
O mesmo Supremo que lavou as mãos como Pilatos no caso Batisti, se inspirou em Salomão para decidir o caso do garoto Sean, o pai – data venia, já avisou que quer as custas processuais de volta.
Em 2009 coisas improváveis aconteceram: a General Motors pediu concordata, Susan Boyle emocionou o mundo, o Flamengo foi campeão brasileiro e – imaginem, quase deu pro Rubinho na Fórmula 1.
No ano em que descobriram os atos secretos, Lombardi morreu, mas o bigode de Sarney continua imortal.
E isso é só o começo porque em 2010 tem eleição e copa do mundo no país do carnaval, não me diga mais quem é você porque amanhã tudo volta ao normal.
Feliz ano novo.
26 de nov. de 2009
26 de out. de 2009
Coluna Ambidestro da Revista FMQ? #1
21 de ago. de 2009
A crônica do noticiário
Michael Jackson se foi deixando Tim Maia morto de inveja: deu cano na turnê de despedida e ainda vendeu ingressos pro funeral. Gênio.
A internet foi oficialmente inaugurada como palco dos escândalos na Paraíba. Primeiro, um padre foi descoberto fazendo participação especial numa suruba no interior do Estado, depois, o assassino da chacina do Rangel apareceu tomando porrada no youtube: há quem diga que essa foi a mais eficaz ação do Governo da Paraíba na área de segurança publica. Perguntado sobre o episódio, o Governador Maranhão contemporizou: -"Eu tenho é pena dele."
Em Brasília, depois que Lina Vieira encarnou o espírito de Francenildo, Antônio Pallocci surge como nova opção do Lulismo pra 2010. Em sua defesa, a Miss Simpatia, Dilma Roussef abriu o verbo: cada povo tem o caseiro que merece.
No futebol, a torcida do Corinthians fez um minuto de silêncio pela morte de Andrea Albertini, o Fluminense pelo segundo ano consecutivo brinca no Brasileiro e o São Paulo se inspira na proposta de terceiro mandato do Lula para ser tetra em 2009.
Na fórmula 1, após o acidente, além do risco de perder a vaga no cockpit da Ferrari, Felipe Massa morre de medo de assumir o lugar de Luciano Burti nas transmissões da Globo: haja coração! Nelsinho Piquet foi saído da Renault e Rubinho que ficou aliviado com a ex-volta do alemão, teve que engolir Usain Bolt.
No Senado, o Conselho de Ética arquivou todas as denúncias contra Sarney e confirmou o velho adágio: conselho bom não se dá, se vende. Mais tarde, a Bela Adormecida acordou com um beijo do sapo barbudo: Aloísio Mercadante foi dormir prometendo que era ex-líder do PT e acordou mais líder do que nunca.
No Brasil até os escândalos são desmoralizados. E assim nasce e morre a indignação nossa de cada dia: os acusados são absolvidos com suas honras e patrimônios lavados à base de dinheiro.
17 de jun. de 2009
Profissionais do Ano informa:
Isso já não é lá grandes novidades pro mercado, mas hoje trago novas e quentes informações sobre o disputado prêmio oferecido pela Rede Glóbulo de Televisão.
Segundo o site clickmarket, os vencedores do Profissionais do Ano 2009 serão divulgados no próximo – nem tão próximo assim, dia 1º de Setembro em Fortaleza.
Ok, já sabemos a data. Mas e as peças das outras agências concorrentes ao prêmio?
Meu faro apurado de repórter percorreu pistas espalhadas pela Web e agora você pode conferir em primeira mão quais os filmes que disputam com a Faz a honraria de vencedor da categoria mercado do Profissionais do Ano Norte-Nordeste.
Assista e torça por mim na final:
Faz (PB) - Aprovação para Curso Clássico Valdenora Nogueira
Trio Propaganda (BA) - Mordida para Murilo Rangel Odontologia
Gruponove (PE) - Camisas para o desodorante Floral
Ideia 3 (BA) - Descontos para Videohobby
Trio Propaganda (BA) - Abajour para Spa Pousada da Conquista
4 de mai. de 2009
A crônica do noticiário ou mudar pra quê se você pode se adaptar
Lula, agora o político mais popular do planeta segundo Obama, escreve artigos para o Le Monde e pro Financial Times . Dizem que Diogo Mainardi, desde então, anda roxo de inveja. Clodovil virou purpurina antes de se enlamear com mais um escândalo do Congresso. Os parlamentares brasileiros com passagens aéreas nas mãos jogaram mais um tema de interesse público na privada, mas ao menos agora existe uma explicação, no melhor estilo política de redução de danos, para o apagão aéreo (lembra?): a culpa pelos atrasos e acidentes nos vôos ano passado sempre foi dos parentes e aderentes de deputados e a gente não sabia, ô raça.
Jarbas Vasconcellos atirou no pé , tentou, mas “quem tirou Fernando Gabeira do posto de reserva moral da nação foi Joaquim Barbosa” que, entre farpas, cobras e lagartos nas seções do STF, deu um cala-boca em Gilmar Mendes desafiando-o a pronunciar Protógenes ao contrário. Amy Winehouse passou as férias no Caribe enquanto Fábio Assunção e Casagrande provaram que celebridade brasileira sob contrato com a Globo também dá uns tecos. Lula, surfando na marola, colocou a culpa da crise mundial nos loiros de olhos azuis. Dilma Roussef – com linfoma e tudo – continua nas graças do presidente, a oposição esperneia reclamando de campanha eleitoral fora de época e a Ministra responde fazendo pose de Miss Simpatia a frente do PAC. Roberto Carlos fez festa para celebrar seus 50 anos de carreira acompanhado por piratas Somalis que resolveram tocar o terror na costa do Oceano Índico ao som de We are the World.
O Brasil força a barra para entrar no Conselho de Segurança da ONU através do sistema de cotas, Chuck Norris faz paródia de Bráulio Tavares e torce pro deserto virar mar e o Texas ficar independente. No Rio, o melhor atacante do Flamengo é um zagueiro do Botafogo, o choque de ordem foi apelidado de Operação Enxuga-Gelo e a Vila Cruzeiro ganhou ares de Petrópolis com direito a imperador e dia do fico. Na Paraíba pós-embargos e com ajuda do acordo ortográfico, Cássio Cunha Lima foi despejado e o Estado enfim, pôde dormir tranquilo ao passo que Maranhão penetrava com todos os trocadilhos e piadas de duplo sentido pelas portas do palácio onde Ariano Suassuna um dia ousou andar nu, boa noite!
18 de mar. de 2009
anônimo e hipócrita - não dá pra ser quando você tem opinião
Antigamente era outro o rebuliço, causado pelo então fotolog Agoralascou. Mais ou menos nessa mesma época, a Zag soltou uma série de anúncios institucionais como esse, se posicionando frontalmente contra as más práticas da propaganda. Em uma das peças, havia inclusive uma confrontação direta às outras agências, com informações que davam conta de que a agência dispunha de muito mais knowhow que as outras, e que por isso os clientes não deveriam perder tempo e dinheiro. Lembro que à epoca, fui um dos que reagiu irado contra aquele aparente absurdo que era atirar contra as outras agências, os colegas e etc... Mas olhando para trás e, principalmente lendo este anúncio, vejo como estava equivocado. O que a Zag fez, não só com esses anúncios que eu julgo brilhantes, foi algo que até hoje pouquíssimas pessoas fizeram pela propaganda paraibana. A Zag deu uma lição a todo mundo, inclusive a mim, do que era o diabo do posicionamento. Quem dispunha de arsenal neurônico para compreender além das linhas, sabia que naqueles anúncios existia uma mensagem maior do que simplesmente: somos bons.
Tomei como exemplo essa história para lamentar que todo mundo leia o tal blog e que o máximo que se consiga fazer seja encher uma caixa de comentários de impropérios, piadinhas e outras sacanagens.
Não sei se existe culpa exclusiva pelos trabalhos fracos, malfeitos, feitos com desdém. Mas senti vontade de comentar quando observei que o blog apócrifo conseguiu dar uma lição de moral no mercado. Ninguém parou em nenhum momento pra avaliar nada. Apareceram alguns pra defender as peças, outros para falar do dono da agência, outros pra falar da agência, outros para pedir que se postassem peças boas ao invés de peças ruins, xingamentos ao dono do blog,saiu de tudo, menos comentários lúcidos sobre a qualidade da peça.
A minha opinião sobre a peça foi postada sob o codinome de Eitador, apenas por uma questão de constrangimento. Conheço boa parte das pessoas que participaram do trabalho e achei que seria deselegante, mas olha...acho que me arrependi. Não há o que temer quando você emite uma opinião sobre qualquer coisa desde que você embase, tenha argumentos suficientes para segurar a onda. E quanto ao que disse no comentário, é exatamente aquilo mesmo que queria dizer.
As duas peças são fracas. A primeira é quase um informecial, só que toscamente produzido. Coisa aliás que já fiz em minha carreira, já vi roteiros criados por mim naufragarem pela minha falta de inspiração, pela falta de profissionalismo do cliente, do fornecedor e da agência. Isso mesmo, a Culpa nunca é de alguém isoladamente.
A peça institucional da Tag Group tem uma arte que poderia chamar de agradável, existe aí um trabalho de direção de arte, sim. Mas Direção de Arte - perdão pela redundância, sem um texto convincente: não convence. A campanha como um todo não diz nada sobre o que é a agência. A única coisa que faz questão de frisar é a experiencia do seu dono. Aliás, legitimamente. Mas o que a Tag oferece que só ela tem? Anos de Experiência? A Real, a Oficina, a GCA, a Antares deixam-na no chinelo. Foco no planejamento estratégico? Com uma campanha institucional que não define nem os próprios atributos que se quer vender, não me parece que seja o caso.
Foco na excelência criativa? Não preciso falar sobre isso. Tomando a liberdade de dizer no que a Tag Group é diferente: Frank Ramalho e sua empresa sempre foram um reflexo entre si, desde a época em que ainda era estagiário em um pequeno escritório da Ponto D na Torre: uma empresa arrojada, eficiente, agressiva, objetiva e ao longo do tempo organizada e sólida. É isso que a Tag tem que nenhuma outra agencia, tem.
A pouquissimo tempo vi na Internet uma polêmica envolvendo a discussão entre 2 grandes publicitários brasileiros: Nizan Guanaes e Fabio Fernandes. Um defendendo um certo tipo de procedimento, outro colocando novos modelos sobre a crise. E o mercado é assim: a Tag é o que é porque quem a dirige quer que assim seja e acho que deveria sempre anunciar-se ao mercado assim. Somos bons porque somos matadores. Com a gente não tem gracinha. Nossa agência é especialista em matar job. E pronto. O que há de errado nisso? Ou será que só na Tag se mata job? Acho que a hipocrisia é que leva a criação de peças como essa de Obama, Madonna ou Amy Winehouse, seja lá qual famoso ou artifício bonitinho para não ser verdadeiro e transparente. A Tag não é sinônimo de sucesso do Obama. A Tag é, forçando muito, sinônimo de sucesso do Lula, por exemplo. Um brasileiro humilde, trabalhador e que chegou a presidente após anos de trabalho e muita insistência. A Tag mata jobs, é isso aí. O que mais há de se discutir sobre isso?
Faço questão de afirmar que o modelo de negócios vencedor da Tag Group, a mim , não parece o mais correto. Mas não sou dono da verdade. Eu, como profissional graças a Deus, ainda posso escolher onde e como trabalhar da melhor maneira. E acho que é por aí. O profissional precisa se acostumar a ter opinião, ser contra ou a favor, se expressar, tomar partido nas questões que envolvem o dia-a-dia do seu trabalho. Porque a pior coisa do mundo é estar em um lugar sem sentir paixão pelo que faz. É se aliar a má vontade, a preguiça e a leniência para se aproveitar e colocar a culpa no outro, assim como se coloca a culpa no cliente. Fazer anúncios ruins, não reclamar das condições em que se trabalha, se acomodar porque a verba é curta e o prazo apertado não são solução pra engradecimento profissional de ninguém.
ps.
É bom que se diga, aliás, que comecei a trabalhar em publicidade como estagiário de criação na Ponto D, em 2000. Logo, estava ali nos primeiros 2 anos de experiência de F. Ramalho.
12 de jan. de 2009
acordo ortográfico em trinta segundos
Ora, veja, hoje ideia não tem mais acento.
Para a alegria dos Franklins, Washingtons e Allyssons, as 23 letras do alfabeto agora são 26.
O hífen, esse incompreendido, acaba de entrar quentinho no forno de micro-ondas.
O acento de voo, foi-se.
E ainda que o trema não mais exista, você não pode sair por ai enchendo linguiça, não é verdade?
A língua evolui, e você?
28 de jul. de 2008
O que procuro no portfólio de um criativo ?
Um processo de seleção consiste basicamente em avaliar que contribuições, o profissional que quero contratar vai trazer pra mim, pra minha equipe e pra agência em que trabalho.
2) Senso de humor
Não acredito em criação sisuda, pomposa, sem um pingo de senso de humor e autocrítica.
3) Pastas coesas e sucintas
Todo ato criativo só se materializa quando consegue se harmonizar com os limites de tempo e espaço. Então, na hora de montar uma pasta: priorize, mantenha só as melhores. Shortlist nelas!
4) Capricho na apresentação
Em casa de ferreiro, o espeto precisa ser de titânio.
5) Idéias que aproximem as pessoas dos produtos ou serviços anunciados. Quanto menos cara de propaganda tiver, melhor
Cá pra nós, muitos de nossos parentes, amigos e vizinhos estão de saco cheio de propaganda: aquele carro de som chato que atrapalha o sono do sábado pela manhã, a letra miúda que contradiz o atributo do anúncio, o maldito efeito sonoro de filme de ação em comercial de varejo. A verdade é que as pessoas querem mesmo é viver, descansar, sorrir, passear na praia, beijar; e nenhum desses programas aí precisa de intervalo.
6) Raciocínios surpreendentes, pensamentos não-convencionais, ângulos mentais inusitados
Gosto de olhar um portfólio e dizer: putz, jamais faria isso desse jeito!
7) Se for redator: referências de artes plásticas. Se for Diretor de arte: referências de leitura.
“Escreveu, não leu: virou diretor de arte.” Quando escuto essa frase, mais me convenço de que profissionais de criação publicitária precisam adquirir conhecimento e vivência fora do universo da publicidade.
8) Senso de oportunidade
Anúncios de oportunidade: taí uma ótima oportunidade para avaliar a sua capacidade de gerar soluções.
9) Outros trabalhos além de anúncios que demonstrem a criatividade e as referências do candidato
Se não tiver feito mais nada além de anúncios, filmes, folders ou spots; conte um case, acho que em determinados casos, vale mais que prêmio.
10) Conhecer quem dupla com o avaliado.
Capriche na ficha técnica das peças, junto de um criativo sempre há gente muito interessante para falar de você.
Texto originalmente publicado no site Gogojob
13 de jun. de 2008
Control X - Privê Serrotão
Num Estado onde o governador coleciona cassações e está no cargo por efeito de liminares, o fato soa como algo excêntrico e pitoresco. É a conseqüência de um governo associado à figura do engraçado ator da bufa campanha publicitária "Pé na Estrada". Não faz nada, mas viaja e como viaja...só viaja!
Josinaldo Malaquias em trecho de artigo recortado da edição de 07 de junho do jornal Correio da Paraíba








