27 de mai. de 2008

A crônica do noticiário ou tudo em família


Deveras saudável é opinar sobre temas quentes de cabeça fria. No país da piada pronta, não se falou em outro assunto, durante o último mês, que não no famigerado Caso Isabella. Não houve escândalo sexual com travestis, terremoto ou ciclone extratropical que retirasse os detalhes sórdidos – contidos na trama da morte da menina, dos holofotes da grande imprensa.

A indignação tomou conta dos lares com ares de novela: policiais e promotores inauguraram a novíssima Escala de Resolução de Crimes Insolúveis que vai de “tudo leva a crer até indícios comprovam”, produtores e editores importaram das transmissões esportivas, as mesas redondas com direito a comentaristas, experts em linguagem corporal e até os famosos especialistas em leitura labial.

Enquanto promotores apontavam que 70% do caso estava concluído e tudo indicava para a possibilidade de homicídio triplamente qualificado, apresentadores e repórteres rasgavam suas pautas e tratavam de pautar a justiça especulando quando enfim, seria decretada a prisão preventiva dos vilões. Depois de muito se falar, os vilões de duas caras foram presos. Mas há quem se pergunte quando e como serão os próximos capítulos da novela: acareação entre legistas ao vivo na Máquina da Verdade do Leão, depoimentos dos principais acusados direto do Arquivo Confidencial do Faustão e enfim, o júri popular no melhor estilo Paredão do BBB.

Da janela discreta com tela de proteção, o assassino atirou junto com o corpo de Isabella Nardoni, todos os conceitos, preconceitos e clichês de regras simbólicas que representam o que temos de pior. A família é uma instituição sagrada, o “cidadão de bem” tem direito de se proteger, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, defenda-se a honra, alveje e lave com sangue bem quente.

E assim, é inevitável constatar que Isabella mora ao lado.

No país dos dossiês, em que o direito à indignação é sagrado, onde a presunção de inocência agora ou é álibi ou permissão para transgredir: a sagrada família segue entre socos, sopapos e pontapés, golpes, traições, estupros, assassinatos e lesões corporais, sustentada pelas bênçãos da hipocrisia, amém.

10 de abr. de 2008

MixWit - a playlist de hoje com o estilo de ontem

Foi-se o tempo em que o dono de uma fita cassete era obrigado a manter o ouvido extremamente aguçado para perceber quase que de maneira premonitória, o início daquela canção que só passava umas 3 vezes durante a programação das rádios FM.

Foi-se o tempo também, em que os donos das fitas gravavam versões exclusivas dos discos que pegava emprestado, mixando músicas de outros álbuns e as vezes apenas alterando as seqüências das faixas dos lp's.

Foi-se o tempo, mas ficaram os dedos.

Clique aí, escute minha playlist bem descompromissada e depois vá lá brincar você, também.




fonte

18 de mar. de 2008

Zenas Emprovisadas

O que aconteceria se misturassem em um mesmo espetáculo de teatro, o humor irreverente e criativo do carioca com os elementos básicos do stand-up americano? E se junto a isso, incluíssem a participação especial da platéia e de atores e diretores para fazer tudo de improviso?

O resultado deu no Zenas Emprovisadas com os excelentes: Marcelo Adnet, Gregório Duvivier, Fernando Caruso e Rafael Queiroga. Mais informações você confere, aqui.



Tem mais nesse aqui e nesse também.

17 de mar. de 2008

as maravilhas da comunicação instântanea - volume três

Oráculo diz: Fala aí viadão…

Oráculo diz: Já comprou minha parada?

.:última mensagem recebida em 15/03/2004 às 14:45:.

Oráculo diz: Mas tu é muito fresco, hein...Cade tu , viado?

.:última mensagem recebida em 15/03/2004 às 16:12:.

Oráculo diz: Fala, caralhooo!!!

Professor Peppe diz : Senhor, desculpe, aqui é a Edith, Secretária do Senhor Caio.

Professor Peppe diz : Ele está em uma reunião. Posso ajudá-lo?

.:Oráculo está offline. As mensagens serão entregues quando este contato entrar:.

Exercitando Tutty



Na briga entre Colômbia e Equador, Hugo Chavez resolveu meter a colher. Segundo Chavez, o café da Colômbia no Equador é mais forte.

Control X - A Lula o que é de Lula

No dia em que o IBGE divulgou a vigorosa expansão da economia em 2007, o presidente Lula, um dos pilares desse crescimento, teve a chance de regalar-se com o glorioso PIB 5.4 e mostrar porque é o maior sintetizador das contraditórias forças socioeconômicas brasileiras.

Nosso presidente discursou diante de duas platéias bem distintas ao longo do dia brasiliense: 1) a claque de evento comemorando os quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social, aquele do Bolsa Família 2) a platéia de empresários do seminário da revista "Economist" sobre o Brasil (até os britânicos começam a se interessar mais pelo país).

À primeira platéia, mais político, mais duro, Lula cobrou dos céticos as críticas e as previsões mais pessimistas para o ano, louvou o Bolsa Família e disse que o mercado interno garante o crescimento, o que significa que "os pobres estão comendo mais, os pobres estão vestindo mais". É verdade.

Já no seminário da "Economist", a revista britânica liberal e opinativa que se tornou um dos maiores formadores de cabeças globais, ele foi mais comedido. "Não almejo que o Brasil fique crescendo a taxas de 10% ou 11% ao ano, prefiro que se cresça por muito tempo a taxas de 5% para que a indústria possa acompanhar o crescimento da demanda paulatinamente... Não quero momentos de euforia, quero momentos de responsabilidade".

A economia brasileira apresenta sinais de vigor há muito ansiados. Os investimentos cresceram 13,4% em 2007, o que deve elevar a oferta e ajudar a conter a pressão inflacionária neste ano de consumo quente, evitando alta nos juros. O crescimento se divide pelos diversos setores, com serviços, indústria e agropecuária crescendo a taxas em torno de 5%.

A questão se foi Lula ou se foram as circunstâncias históricas e externas que trouxeram este avanço econômico sempre existirá. O principal talvez seja mesmo o mero acúmulo de anos e anos de relativa estabilidade econômica e relativa responsabilidade fiscal, e daí méritos óbvios à era FHC. Mas a mudança de patamar está acontecendo sob Lula, após cinco anos de seu governo (e oito de FHC).

Sim, criticar é preciso e preciso. São gritantes as deficiências na gestão. Os gargalos de infra-estrutura, a ineficiência jurídica, a insegurança pública, a burocracia asfixiante, o caos tributário, tudo ainda sob uma imensa carga tributária demandada por um Estado caro e corrupto. Essa é a equação do atraso, a banda podre que nos aprisiona e contra a qual Lula parece incapaz de agir, para dizer o mínimo.

Mas, ainda assim, a economia avança. Os pobres comem mais, os ricos lucram muito mais. Nossa vocação para um mercado interno exuberante, na definição de Delfim Neto, começa a realizar-se.

Mãe dos pobres, pai dos ricos, Lula consegue ser ponte entre as distante extremidades da população brasileira. A, desculpe o palavrão, elite sempre governou o Brasil. Lula é nosso primeiro presidente popular no sentido raso da palavra. Entende como nenhum professor da USP as necessidades do andar de baixo. É necessário para legitimar a democracia, mesmo ineficiente, de um país tão desigual.

Pode não ser a melhor ponte, mas é por ela que atravessamos.

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo.

12 de mar. de 2008

Dupla Penetração




Mônica Mattos, em menos de um mês, foi perfil da Rolling Stone e deu entrevista na Globo, ainda que às Altas Horas. A musa pop da pornografia brasileira, anda na contramão das pseudo-celebridades: é sucesso de público e crítica tanto no underground x-rated quanto no mainstream. A manter-se o ritmo, quem sabe não grava uma novela.

28 de fev. de 2008

INDIECA -VOLUME III (Holly Golightly)



A nossa resenha pede um tempo para o indie rock e decide se embrenhar pelo folk-rock de Holly Golightly.

A cantora que usa o nome da famosa protagonista vivida por Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961), filme baseado em um roteiro adaptado do romance Breakfest at Tiffany’s escrito por Truman Capote, nasceu na Inglaterra e toca um som cheio de referências do blues, soul e folk rock americano.
Holly já fez registros em diversas bandas como The Whitestripes, Mudhoney, Rocket From The Crypts e The Greenhornes. De 1991 até 1999, anos em que gravou 6 discos com a sua banda de Garage Punk, Thee Headcoatees, Holly acumulou bastante experiência no rock n’ roll.

Seus discos solo, porém são todos dedicados ao folk rock com pitadas de blues espalhadas aqui e ali, a exemplo das faixas, There is an end e Tell me now so I know gravadas para a trilha sonora do filme Broken Flowers (2005)

O disco You Can't Buy A Gun When You're Crying (2007) foi gravado com a banda The Brokeoffs, e aprofunda as raízes no folk,como você pode conferir na faixa Devil Do, que podia entrar no setlist do The Whitestripes sem ser sequer notada. Aliás, os irmãos White estão tão próximos de Holly Golightly, que além de abrir vários shows da dupla, a cantora já fez inclusive os vocais da canção It's True That We Love One Another (Elephant, 2003), em que Jack, Meg e Holly celebram quase numa toada country, as afinidades e o amor que os unem.

Depois de tanta água, agora deixa rolar o som.
Aproveitem.

Devil do




There is an End


entre a vida e a morte ou a crônica do noticiário

O Brasil passou de devedor a credor, pagou e apagou o FMI dos muros pichados das grandes cidades enterrando a diversão de milhares de militantes juvenis da esquerda revolucionária brasileira. Os EUA estão em baixa, à beira da recessão e com uma crise imobiliária que faz os mutuários da Caixa Econômica Federal no Brasil se sentirem orgulhosos dos seus saldos devedores.

O cinema nacional está em festa: em menos de 10 anos ganhou seu segundo Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim, desta vez com o cult-pop, Tropa de Elite. Que Costa Gavras não nos escute, as más línguas creditam o sucesso do filme no festival ao reconhecido gosto alemão por tendências fascistas: heil, Nascimento!

A CPMF reencarnou em forma de aumento no IOF. Os cartões de crédito corporativos fizeram lembrar Cazuza e cortaram como navalha a cabeça de uma Ministra da Igualdade, que resolveu mostrar a cara. Na esquina do meu trabalho, a Gangue da Moto Preta matou um integrante da Família dos Amarelos, a Imprensa Marrom escreveu algumas linhas, mas o assunto como sempre passou em brancas nuvens. Então, vida que segue.

O Flamengo ganhou do Vasco, mas a torcida cantou vice de novo pro Botafogo. José Dirceu, o galã da esquerda latino-americana, se mantém como consultor e não cansa a beleza porque não vive sem os seus cremes. Fidel Castro ainda não disse adiós, mas a América já acena com um hasta la vista, baby.

No Rio de Janeiro, ninguém sabe quem é polícia, milícia ou traficante, os políticos procuram respostas em Medellín enquanto a população, feliz, se esquiva das balas perdidas, dançando o Créu

Em São Paulo, primeiro foi o PCC, depois os motoboys e agora foi a chuva que parou a cidade: ninguém entra, ninguém sai. A classe média, agora elite branca, não tá nem aí pros direitos dos mano, pou. Nem das mina, pá. Tá ligado? A prefeitura quer revitalizar o Centro, o Corinthians quer construir um estádio. A população quer andar pela cidade, mas se correr o marginal pega e se ficar, a marginal, alagada, come.

E antes que subam os créditos, minha filha precisa dormir e eu preciso pensar, porque o país inteiro está jantando agora e as pessoas da sala de jantar são ocupadas.

Boa noite.

22 de fev. de 2008

Fidelização


Se há algo que sempre me chamou a atenção em relação ao comunismo foi a impressão de que só o capitalismo seria capaz de produzir miséria. Com o passar dos tempos e dos regimes comunistas e socialistas por todo o mundo, o mito caiu por terra e mar, só faltava a ilha. No entanto, ainda que o Comunismo Revolucionário Cubano esteja se esvaindo, Fidel Castro pode se gabar de ter criado em Cuba uma espécie de pobreza qualificada: gente letrada e formada em boas escolas, mas sem o auxílio completamente supérfluo dessas coisas retrógradas que se convencionaram chamar de emprego, mercado, dinheiro, etc.

Há na ilha, semanticamente cada vez mais ilha, um "exército-cabeça" de barriga vazia acostumado à rotina de livro pra comida e pra educação.

Cuba hoje tem atletas, cientistas, médicos, professores e até escolas de cinema de vanguarda, todos ilhados e prontos para preservar os ideais da revolução para além dos discursos do comandante-em-chefe.

Fidel renunciou ao cargo de presidente, mas não ao poder. Poder, aliás, que corrompe tanto no capitalismo quanto no comunismo.

INDIECA - VOLUME II (PUEBLO)

Banda Sueca que toca um rock pra lá de melancólico muito parecido com bandas como Arcade Fire e Smog. Nas pesquisas que começaram através da indicação do trio Peter, Bjorn and John feita na seção “Listas” da Rolling Stone até a versão sueca do Last.FM, ficam claras as referências do country rock e do pós-punk britânico do final dos anos 80. A música que escolhi pra ilustrar foi Streetfighting, segunda faixa do único disco da banda, Darkness Keeps on Rising.Ouça e guarde para escutar naquelas manhãs chuvosas de maio perto de alguma janela, mas cuidado pra não cair!

Streetfighting


30 de jan. de 2008

INDIECA - VOLUME I (Maxïmo Park)



bandas que você nunca ouviu, falar.

Trata-se de uma banda britânica que já gravou 2 discos e lançou uma coletânea de b-sides. Vamos aos rótulos: indie, britpop, pós-punk, lembra The Smiths. Ahh, antes que me esqueça o nome é uma homenagem ao libertador de Cuba, o dominicano Maximo Gomez, que dá nome a uma praça de Miami conhecida como Domino Park pela enorme quantidade de velhinhos praticantes do dominó. Mas como trata-se de um representante dos indies, a história mais cool sobre a origem do nome da banda é a que circula pela internet, que dá conta da existência de uma espécie de coletivo revolucionário que se reunia em algum lugar de Cuba chamado Maximo Gomez Park, antes da Revolução de 1959.

Ouça e prepare-se para citá-la em uma dessas incontáveis conversas de pé-de-mesa.

Apply Some Pressure

18 de jan. de 2008

as maravilhas da comunicação instantânea - volume dois - bonitinha, mas ordinária

Garota Interrompida> diz: Olááááááááááááá´!!!

Garota Interrompida> diz: vc q é uma pessoa inteligente, me diz o q isso significa

Oráculo> diz: uhmm, manda...

Garota Interrompida> diz: “A compaixão nem sempre é virtude, pois quem poupa a vida do lobo condena à morte suas ovelhas”.

Oráculo> diz: vc não entendeu?

Oráculo> diz: :S

Garota Interrompida> diz: naooooooooooooo

Oráculo> diz: qd vc tem compaixão pelo lobo e deixa ele vivo...

Garota Interrompida> diz: me diz ai como faço pra entender

Oráculo> diz: ... ele vai matar as ovelhas

Oráculo> diz: logo, nem sempre é bom ter compaixão.

Oráculo> diz: sacou?

Garota Interrompida> diz: ahhhhhhhh!!!

Garota Interrompida> diz: e quem são as ovelhas?

So long, Mr. Nice Guy


Gustavo Kuerten vai parar de jogar tênis profissionalmente aos 31 anos. O tenista catarinense, ex-número 1 do ranking da Associação de Tenistas Profissionais, vai deixar de jogar sem ter realizado o desejo de muitos, e dele próprio, de repetir as temporadas avassaladoras que o mantiveram 43 semanas como o melhor tenista do mundo, à frente de tenistas como Andre Agassi e Pete Sampras. A despeito dos velhos vícios e clichês que envolvem a análise do fim de carreira de um grande ídolo do esporte, é preciso reconhecer que Guga jamais precisaria erguer-se além da estatura de grande ídolo que possui. Sua grandeza, aliás, sempre foi essa: compreender exatamente a sua dimensão como esportista.

Agora, a carreira de Guga já tem data marcada para acabar, mas, abandonar o circuito não o torna menor. Guga pra mim é o símbolo do Brasil que dá certo. É um cara que demoliu o estereótipo do esperto-malando-brasileiro e esculpiu à base de muito saque, suor e backhand a imagem de um sujeito criativo e irreverente, mas também, perseverante e obstinado.

Um cara família, centrado e amante das boas coisas da vida. Nem bad boy, nem bom moço: só um cara legal.

12 de jun. de 2007

O mercado, a polícia e o reino dos caolhos

A Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que praticava cartel nos postos de combustível da Grande João Pessoa, prendeu mais de 10 empresários, apreendeu computadores, malotes, documentos e mais de US$ 19 mil em dinheiro vivo. Muita gente foi presa, as negociatas que estavam por trás do segmento de postos de combustíveis foram escancaradas, mas a Operação 274 deveria mesmo servir de lição para o famoso “mercado” da propaganda paraibana.

O resultado da operação não foi surpresa. O que era implícito, mas não menos condenável era a mensagem por trás do cartel.

Os preços combinados, antes de tudo, sinalizam o horror que o empresariado local tem do risco. Evidencia práticas e mentalidades provincianas: falta de respeito com o consumidor, aversão à responsabilidade pela otimização do atendimento, indiferença quanto à gestão e controle sobre procedimentos, treino e capacitação de pessoal.

Um mercado que serve de hospedeiro para uma prática nefasta como o cartel mostra o quanto se ressente de informação sobre noções básicas de marketing e economia. Agências de propaganda deveriam ser as primeiras a rechaçar um tipo de capitalismo suicida que acredita em uma relação de consumo que se encerra na boca-do-caixa. Empresas e empresários que pensam assim não podem ser exemplos de conduta em um mercado, e agências de propaganda não podem fazer coro com a malfadada frase: o mercado é assim mesmo. Não, não é assim. Antes da operação da Polícia Federal bem que o “mercado” poderia ter feito uma campanha patrocinada pela Abap contra o cartel de combustíveis. Mas não fez.

E assim, o que poderia ser case de marketing virou mais um caso de polícia.

27 de set. de 2006

Soulsation Black Party - Boas idéias geram movimento


No melhor espírito ctrl+shift+f11, eu e duas amigas empreendemos uma idéia com tudo pra dar certo. Sexta-feira, dia 29, vai acontecer a Soulsation Black Party – primeira festa de Black Music de João Pessoa. Trata-se de mais uma daquelas idéias que surgem na nossa cabeça sem necessariamente terem compromisso com a realização. Mas essa idéia, não: saiu da cabeça direto para a “Dance Floor”. Se a festa será um sucesso, não sei. Mas que as boas idéias movimentam e mobilizam, não há dúvida. Quando a idéia é boa e realizada com vontade, até o acaso vira amigo.


*Update

A festa foi um sucesso. A verdadeira ligação entre demanda e necessidade conectadas por muitas vibrações positivas e uma idéia mobilizadora. A próxima edição já está em fase de planejamento. Não perdam!

28 de ago. de 2006

Control X - O melhor do mau humor de Arnaldo Branco



O criador do Super Anti-Herói Capitão Presença é, junto com outros ilustradores como Alan Sieber, fonte de ótimas tiradas. Recortei esse quadrinho, mas tem mais.

It's The End Of The World As We Know It

Bem vindo à era da irrelevância da política.

Fica fácil decretar em um ambiente assim tão propício. Mas a verdade é que há 17 anos não caiu apenas o Muro de Berlim. Com o muro caíram o socialismo, o comunismo e todas as ideologias políticas que hoje só existem no discurso. A política – não só no Brasil, é bom que se diga – se transformou numa promiscuidade só: liberais; conservadores; neoliberais; extrema-direita; trabalhistas; republicanos; democratas; social-democratas; radicais; moderados; tucanos e petistas; estão todos juntos no mesmo saco, prontos para morrer, não pela causa, e sim pela boca – assim que assumirem o poder.

A política hoje deve fazer Maquiavel revirar no túmulo. A máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios foi corrompida. O fim é comum a todos: tomar o poder, aparelhá-lo, subjugar seus opositores e se perpetuar por anos a fio. Os meios se universalizaram: o lobby, o spinning, as mesadas, mensalões e beiradas não distingüem programas nem plataformas.

Os meios já não precisam de justificativa, os ardis já não espantam ninguém – o que é comum, é normal. A ideologia está lá apenas como peça de decoração, todos sabem de cor, mesmo que não entendam bulhufas do que falam. Faça um teste. Peça para alguém dos Sem Terra explicar a base ideológica do movimento, não sem antes, fechar os olhos. Ao som das palavras de ordem contra a burguesia capitalista, contra a exploração do proletariado, você vai fazer uma viagem no tempo, vai se sentir na própria Revolução Russa e é capaz de sair por aí arrancando até muda de capim.

Sem a contradição que foi exterminada definitivamente depois que os sonhos de padaria das esquerdas sublimaram-se tal qual naftalina. Fazer política, acreditar na política hoje é algo dissonante da realidade. Em 1989, a política se desmanchou no ar, a cortina de ferro se abriu e o tempo parou. O muro caiu, a ficha ainda não.

Ao contrário? Muito pelo contrário.

O excelente Roberto Pompeu de Toledo de Veja, tentou. Mas as evidências não me deixam calar. Não há como contemporizar com a atual crise ética da politicália nacional. Com mensaleiros, confrades ou sanguessugas não tem conversa. Aliás, têm conversas, muitas, todas de preferência abafadas por panos dos mais quentes.

Sob o pretexto de tentar evidenciar que ainda restava ética entre os pares de parlamentares envolvidos em casos de corrupção, Pompeu celebrou o fato de que em uma casa legislativa – Assembléia Legislativa de Rondônia – composta por 25 deputados, ainda existia um único pilar da dignidade cercado por propinas e cochichos por todos os lados. O apelo para que os leitores fizessem o exercício de “ler os números ao contrário” me fez lembrar o trecho de um artigo que escrevi no auge da crise mensaleira: “Chegou a hora de generalizar. No Brasil, não existe político honesto. O máximo que se pode admitir como verossímil é que o político que não é ladrão, é cúmplice da roubalheira, talvez uma cumplicidade forçada pelo espírito de corpo, mas ainda assim uma conivência criminosa. É a Lei do Deixa-Que-Eu-Deixo que impera soberana na República do Faça-O-Que-Eu-Digo-Não-Faça-O-Que-Eu-Faço.”

No Brasil, meu caro Pompeu, entre ativos, passivos e permissivos; queimaram-se todos.

Por entre emendas e brechas: o nascedouro das beiradas e mensalões

Dono de imobiliária faz campanha com uma agência, fecha todas as negociações, a comissão da agência é paga por fora, depois do acerto direto com fornecedores. Não pode usar foto porque o cliente não pode pagar. O cliente lembra que não pode pagar foto. E determina: "Mas é aí que vocês têm que ser criativos."

O cliente resolve abrir espaços para artistas. Os artistas criam suas obras, registram suas obras e as vinculam à marca do ciente, em troca ganham o prazer de poder expôr suas obras como souvenirs de ponto de venda. O artista se rebaixa mas acha que o mecenas, aliás, o cliente, é um verdadeiro visionário das artes.

O cliente resolve então fazer outra campanha. De antemão avisa: "Não tenho dinheiro pra pagar". Quem paga a conta são construtores que vão por seus empreendimentos nos anúncios do cliente. Na verdade quem paga são os fornecedores dos construtores, que têm a honra de poder investir em grandes empresas visionárias, especialistas em negócios de baixo custo e alta rentabilidade. Mas aí, os fornecedores expõem outra faceta, na verdade quem paga a campanha do grande mecenas-cliente-visionário-das-artes-especialista-em-negócios-de-baixo-custo-e-alta-rentabilidade não é o construtor, nem ele fornecedor. O fornecedor acaba de fechar um contrato milionário para tapar buracos de todas as Rodovias Federais, na verdade, como o contrato foi fechado com o governo – que não paga – ocorre um justo acréscimo no preço licitado, afinal nada mais justo do que se preservar do calote do Estado. Na verdade, nem é preciso se preocupar, a agência fez a campanha pro mecenas-cliente-visionário-das-artes-especialista-em-negócios-de-baixo-custo-e-alta-rentabilidade, mas o construtor pagou parte da conta dividida com o seu fornecedor, que contou com a ajuda de um contrato milionário para recauchutar rodovias, levemente inflacionado por uma reserva contra o calote e uma partezinha de fundo de campanha, afinal vem eleição por aí. Assim, garante-se mais obras, já que o fornecedor está lá pra cooperar, o construtor também e a agência…

Bem, a agência com a parte que lhe cabe. Pode, de repente, até pegar a conta da ponta, apostar no marketing político, quem sabe?

Por isso que o Lula não sabe nada do Mensalão. Ô golpezinho bobo perto do status quo.

* Comentário sobre artigo de Amândio Cardoso publicado por Celso Muniz. As lições de poder que a publicidade ensina.