12 de jun de 2007

O mercado, a polícia e o reino dos caolhos

A Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que praticava cartel nos postos de combustível da Grande João Pessoa, prendeu mais de 10 empresários, apreendeu computadores, malotes, documentos e mais de US$ 19 mil em dinheiro vivo. Muita gente foi presa, as negociatas que estavam por trás do segmento de postos de combustíveis foram escancaradas, mas a Operação 274 deveria mesmo servir de lição para o famoso “mercado” da propaganda paraibana.

O resultado da operação não foi surpresa. O que era implícito, mas não menos condenável era a mensagem por trás do cartel.

Os preços combinados, antes de tudo, sinalizam o horror que o empresariado local tem do risco. Evidencia práticas e mentalidades provincianas: falta de respeito com o consumidor, aversão à responsabilidade pela otimização do atendimento, indiferença quanto à gestão e controle sobre procedimentos, treino e capacitação de pessoal.

Um mercado que serve de hospedeiro para uma prática nefasta como o cartel mostra o quanto se ressente de informação sobre noções básicas de marketing e economia. Agências de propaganda deveriam ser as primeiras a rechaçar um tipo de capitalismo suicida que acredita em uma relação de consumo que se encerra na boca-do-caixa. Empresas e empresários que pensam assim não podem ser exemplos de conduta em um mercado, e agências de propaganda não podem fazer coro com a malfadada frase: o mercado é assim mesmo. Não, não é assim. Antes da operação da Polícia Federal bem que o “mercado” poderia ter feito uma campanha patrocinada pela Abap contra o cartel de combustíveis. Mas não fez.

E assim, o que poderia ser case de marketing virou mais um caso de polícia.