21 de dez de 2005

Vale perguntar?

Mesmo com a língua presa se ouve de Brasília que o país nunca evoluiu tanto em termos sociais. Pode ser verdade, mas não dá pra fazer a conta de quanto custa manter tanta evolução. Educação, cultura, saneamento, habitação e saúde no Brasil parece só funcionar na base do decreto. Inventou-se o Fome Zero, mas já tinha o bolsa-escola e o bolsa-família. Havia o salário-família e o vale-transporte. Ahh! Mas agora tem o vale-gás. E o vale-energia, o Bolsa-Atleta, e o carro pipa, não vale?

Na terra do vale tudo, onde sobra gente que não vale nada, será que vale à pena?

Síndrome de Elba

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Unanimidade entre políticos além de burra é preocupante.
Depois da morte por inanição do Fome Zero, os políticos agora elegeram o Projeto de Transposição do São Francisco como a salvação das poucas lavouras que existem no Nordeste. Para que carros-pipa, se a transposição está aí desde o Império como um projeto viável?
Não sei se dá pra ser contra ou a favor. Falta informação mas não falta fé.
Que a oração do próprio São Francisco nos proteja desse projeto.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz e se houver maracutaia que o leve à merda.

Fecha aspas

Certa vez com alguns pinos a mais no tornozelo e muitos a menos na cabeça, tive uma idéia que me rendeu muita coisa nova, amizades, maturidade, experiências e muita história pra contar. Hoje, três anos depois, percebo a importância da dedicação e da mobilização das pessoas em torno de idéias como aquelas, sem pino.
Só assim que consigo enxergar tudo. A despeito da gostosa vaidade pelo reconhecimento de um trabalho que rendeu 9 prêmios, é na confiança e na energia das pessoas que deposito toda a alegria por estes anos de sucesso a pino.

11 de out de 2005

de notas

Lucidez
Pior é admitir ser entusiasta e crítico ferrenho de um sistema perfeito exatamente pela imperfeição.


Se chorar, vendam lenços
E o pré-texto alivia a conseqüência da consciência.


Eu sou "mendiiingo". Me dá um "pratchicumê".
A derrota tem o dom de transformar os homens e seus atos. Como 10 milhões de empregos se transformaram numa rampa.


csf11 - o sucesso que subiu à cabeça
Alguém um dia disse: há poder nas palavras.

"- Tua flor me deu alguém pra amar. - E quanto a mim? Você assim, e eu por final sem meu lugar?"

Quem sabe um talvez?

A democracia chama: sim ou não às armas?
A confusão dos sins e nãos parece orquestrada e, já a partir daí, se verifica o quanto é perigosa a decisão: de impensada a impensável em 1 segundo.

A solução, parece, não reside na reposta da pergunta posta em referendo. Quantas outras questões aparentemente alheias ao assunto estão lá, ocultas, além do horário nobre?
Decerto entre o sim e o não, apenas a falta de conseqüência prática efetiva. Afinal, mente quem faz relação direta entre armamento/desarmamento e criminalidade. Mente quem diz defender o direito do cidadão. Mente quem faz apologia do "cidadão de bem". E, em tempos de cueca e mensalão, anda difícil confiar em quem faz o estilo "Paz e Amor.
E assim seguimos a árdua tarefa de escolher entre as mentiras e omissões mais leves.

A democracia inquiriu mas só há como responder perguntando.
No que resultará a restrição de um direito? Que espécie de Estado estará configurado depois do sim ou não? Sem o progresso e sem as armas, como manter a ordem? O "livre arbítrio" do cidadão ou a vida?

No que votar? Pelo sim, pelo não, quem sabe um talvez?

20 de set de 2005

de notas

CARNE COM FARINHA & MARMELADA

Bem ao gosto Nordestino terminou a mega-apreensão de cocaína realizada pela Operação Caravelas da Polícia Federal no Rio: carne com farinha e uma bela marmelada de sobremesa.


O POLÍTICO E O 'CÂNCER DO SIGNIFICADO DEFINITIVO'

Deu no Le Monde. Por “Malufar demais” pai e filho estão na cadeia.
Malufar, “mais novo neologismo” significa roubar. Mas a aplicabilidade no vocabulário é riquíssima, tanto quanto as contas – que “não existem” – da dupla no exterior. Malufar pode ser prometer e não cumprir. Malufar pode ser roubar mas fazer. Pode ser reclamar da comida ruim. E também podia substituir a expressão cara-de-pau.


QUEM DISSE QUE FARINHA ENGORDA?

A modelo inglesa Kate Moss demonstrou, em vídeo gravado e publicado pelo sensacional Daily Mirror, que não. Kate provou definitivamente que uma supermodelo munida de cartão de crédito e dinheiro, é capaz de fazer muito mais do que apenas compras.

antes

A escassa memória da tenra idade confirma: nasci sem estar preparado para as coisas deste mundo. Prematuro, o meu sofrer se estendeu assim através dos tempos. Aprendi a ler antes de entender bem o que eram as letras.

Não tinha vaga nos bancos da escola. Antes que me expulsassem, ganhei um banco com meu nome. Meu irmão foi antes de mim.

Antes de brincar, eu senti que era fácil aprender. E assim me fiz acreditar. Sem esperar, fiz de meu ofício, criar. E antes que termine de expôr, preciso dispôr porque alguém antes de mim, há de se interessar.

13 de jul de 2005

MALAS, CUECAS E EXPLOSÕES

Falar do mar de lama em que se mergulhou a política de nosso país é chutar cachorro morto. A política brasileira é suja, sem excessões. Afinal, soa como ingênua a idéia de que foram os barbudinhos do PT que criaram toda esta intrincada rede de influência que faz brotar dinheiro em malas e cuecas mundo afora.
Chegou a hora de generalizar. No Brasil, não existe político honesto. O máximo que se pode admitir como verossímil é que o político que não é ladrão, é cúmplice da roubalheira, talvez uma cumplicidade forçada pelo espírito de corpo, mas ainda assim uma conivência criminosa. É a Lei do Deixa-Que-Eu-Deixo que impera soberana na República do Faça-O-Que-Eu-Digo-Não-Faça-O-Que-Eu-Faço.

O extrato realmente relevante desta crise está na descrença das pessoas nas chamadas instituições. Ninguém mais acredita na encenação teatral em que se transformou a democracia republicana, o público não engole mais monólogos extensos, discursos inflamados, propostas politicamente corretas, posições aparentemente coerentes. Todo mundo sabe que em político não se pode confiar. Todo mundo sabe que funcionário público não trabalha. Todo mundo sabe que todo Governo paga por apoio, a diferença está apenas na moeda. O que mais impressiona nesta crise é o quanto ridícula é a nossa representação, a escória moral transmitida ao vivo e narrada com todos os vossas senhorias e excelências a que se tem direito. É a causa pública achincalhada pela privada, é um show de horror e humor ao mesmo tempo. Parece o fim anunciado de um mundo que sabe de tudo e finge não saber de nada. É o ônibus que explode em Londres, é a mala de dinheiro para pagar fornecedores, é a coroação do cinismo como bem maior da pós-modernidade.

Para quem como eu, um dia acreditou que o PT fosse um partido diferente, cabe o conselho: por mais verdadeiros que eles possam parecer, não acredite em símbolos!

12 de mar de 2005

DESLIGUE A TELEVISÃO E VÁ LER UM LIVRO !

Há mais em nossa TV do que as subestimantes novelas. Assistir à TV pode ser um exercício educativo dos mais surpreendentes, mesmo que seja no mais improvável dos horários: o famigerado domingo à tarde.

Além da preguiça, o tédio é outro estimulante perigoso para que o cidadão incorra na aventura de tentar achar algo construtivo no domingo à tarde. Mas eu tentei. Passei de passagem pelos golpes de Chuck Norris, me esquivei da vida de princesa que alguém resolveu levar e pus na MTV. Me deparei com uma tela preta com letras garrafais acompanhadas de um bip contínuo e uma voz que se repetia randomicamente imperativa: Desligue a televisão e vá ler um livro!
Foi surpreendente. Tanto quanto chato. Afinal eu estava com pelo menos três casos de leitura incompletos por preguiça.

Não desliguei a TV.
– “Não vai me enganar”.
Mudei de canal e pus no futebol. O jogo nem era do meu time, muito pelo contrário. Mas mesmo assim foi um alívio, ao menos momentâneo. Porque, pouquíssimo tempo depois, percebi que a iniciativa educativa e/ou construtiva não parou apenas na porra-louquice da MTV. Enquanto os torcedores preparavam os bandeirões no estádio e em milhões de lares, o "típico macho brasileiro" ia à geladeira pegar a cerveja pra assistir o futebol, um anúncio alertava para o uso consciente do crédito: – “Só use seu cheque em situações realmente especiais. Afinal, por isso que ele é chamado de cheque especial”.
Por si já seria extraordinário. Levando em conta então, que o anunciante deste íntegro comercial era um banco, ( talvez o maior banco particular do país) o episódio ganha contornos de "Além da Imaginação".

O que será que está acontecendo no mundo?
Parei um instante para analisar isso tudo e cheguei a inúmeras respostas pouco conclusivas: A TV mediando um mundo que mudou; um chute nos modelos prontos a serem seguidos pelos jovens estudantes de comunicação; um soco na boca do estômago de publicitários engraçadinhos; uma ode ao consumidor moderno, consciente e responsável; um mea culpa tardio do sistema; ou talvez nada disso...

Voltei ao bom e velho futebol porque, por enquanto, não dá pra acreditar que a revolução vai passar na TV. Pelo menos ao vivo, não. Quem sabe só os melhores momentos?

26 de fev de 2005

IDÉIAS | LETRAS | ESTILO

O CSF11 está de cara nova.

A reformulação visual contou com a sensibilidade e o latente senso de curiosidade do meu brother Léo, com sugestões de muitos outros amigos, e a inestimável contribuição do meu camarada "Homem Gráfico".

O visual lembra a Coca-Cola com uma porção de elementos da Pop Art de Warhol, e figuras retiradas das obras do artista plástico Chinês, Wang Guangyi.
Vale à pena conferir algumas das obras desse artista...Se você tiver um pouvo de paciência, tempo e curiosidade, entra no google e perceba que o cara teve uma idéia muito interessante: juntar através do visual, o que há de comum e incomum entre capitalismo-imperialista e comunismo-maoísta.

Pretendo mandar um mini-boletim com algumas mudanças de conteúdo que estou estudando para o CSF11, mas por enquanto vou postar textos que ficaram guardados ou semi-finalizados durante esse tempo de ausência.