29 de jun de 2004

O EGOÍSMO POR MIM MESMO

EGO s.m. Psic. Personalidade do indivíduo definida como um equilíbrio entre as tendências elementares (o “id”) e a censura social interiorizada pelo indivíduo (o “superego”).

EU acatei a sugestão de uma amiga MINHA, e postarei sobre o Egoísmo.
A primeira coisa que EU fiz, como de resto sempre faço, foi pesquisar no dicionário a origem e o significado da palavra.
ME deparei com duas definições: uma filosófica e outra psicanalítica.
A filosófica é simples e atribui ao Ego, o significado de “unidade” à alma humana.
A psicanalítica explica o significado retirando o termo do isolamento e o conectando a mais dois conceitos, dos quais EU ainda não manjo muito, mas que estão descritos aí em cima.
EU tenho uma definição própria, só MINHA, sobre o que é ser egoísta. Lógico que posso compartilhá-la com vocês, afinal este é um espaço criado por MIM, não correria o risco de ser mal interpretado.
No mundo contemporâneo, ser egoísta é aderir à paz. É ficar impassível. É não esquentar, nem estar frio demais. Não é o sólido, nem o liquido, muito menos o gasoso. É o plasma.
O egoísta hoje é aquele que quer a paz que o Yuka não quis.
EU, como Redator de Publicidade, lido todos os dias com os EGOS. Mas nem ME acho tão egoísta.
Agora que pesquisei sobre o assunto, e vou postar um texto cheio de versos sobre MIM mesmo, sei que EU sou no máximo um Egotista, egoísta jamais.


(N)ÉGO

Négo o apego
Porque renego meu ego
Prefiro o sossego
No momento que me entrego

Em geral não me atrevo.
Porque renego meu ego
Mas não gosto do arrego.

À primeira pessoa relego
Só aquilo que cabe emprego
Porque renego meu ego
E me négo ao apego

Na alegria que carrego
Há doses de gozo e desespero
Porque renego meu ego
Fecho os olhos pro desprezo


21 de jun de 2004

PELA HONRA DE GREYSKULL

Era do alto do Chevette SL do meu pai que eu vi a minha infância passar. E se você quiser algo mais anos 80 ainda, antes dele, havia um Corcel. Era um Corcel creme, assim como o Chevette, que só reforçava a proposta daqueles tempos. Daí eu te pergunto: qual era a proposta daqueles tempos? Pelo menos pra nós, crianças naquela época, a proposta era assistir ao sorteio do Xou da Xuxa every day...
“E se você quiser participar do nosso sorteio é só escrever para rua Saturnino de Brito, 74, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. O Cep é 22470. Moderninhooooo”. Eu tinha que falar que ainda lembro disso. Eu e minhas irmãs fazíamos cartinhas, muitas delas, e brincávamos de sorteio na garagem da nossa casa. Outro dia conversando com uma amiga do trabalho, descobri que ela também fazia a mesma coisa. Não posso falar pelo universo dos meninos. Mas é facinho que eles tivessem uma espada do He-man ou bonecos do DI Joe. (Até eu tinha!) Do que será que as crianças brincam hoje? Eu vejo meu filho reproduzir todos os gritos de guerra de desenhos que horrorizam os pais pelas doses de violência que propõem. Mas o horror da gente no fundo é pura nostalgia. Talvez toda época tenha a dose de violência que mereça. Já pararam pra pensar nisso? Eu já. Tudo era sempre mais bonito na nossa época. E não há melhor nem pior, só há a diferença do tempo. E assumindo isso, eu posso prosseguir mais tranqüila. Eu corri de bunda-rica pela casa, usei saia balonê, ouvi os LPS da minha mãe e quis ser como a Cláudia Ohana na novela Rainha da Sucata. Ta tudo bem, já era 1990. Mas a década ainda estava lá impregnada. Assim como todos os desejos que nós tínhamos naquela época. Quem nunca imaginou a distância da idade? “Nossa quando eu tiver 21 anos eu já vou estar ...”. Era longe não é mesmo? Chegou tão rápido... E essa vontade louca de sempre voltar à nossa juventude ou a nossa infância quando tudo parece sem sentido. Há todo sentido do mundo nesse eterno retorno. À medida que o tempo passa, a gente se esquece e se afasta do que quer realmente. Por isso, vocês ainda irão assistir ao retorno dos anos 90, dos anos 2000, 2010... 2015. Porque enquanto houver quem envelheça, vai haver cansaço, nostalgia e saudade. E se você não está entendendo nada do que eu digo, faça o seguinte: ouça Boys don´t cry do The Cure num sábado à tarde e depois volte aqui pra dizer... não parecia que você ia conquistar o que quisesse? Eu achava que sim. E pra falar a verdade, quando ouço, ainda acho que posso. E é por isso que a gente volta. Pra entender que a gente sempre pode, independente do tempo que for.

Julliana Veloso Machado
É jornalista, redatora de publicidade e produtora de TV
Atualmente faz especialização em Marketing e Publicidade no IESP

SAVE FERRIS

Um amigo, redator de publicidade, vem desenvolvendo uma tese (de botequim) a respeito da volta por cima dos anos 80.
O minimalismo do rock oitentista, os Strokes, a moda das linhas heritage/vintage de todas as marcas e até coisas como o glam rock parece que estão dando certo, vide o caso de uma banda e suas calças de couro que vi na MTV dia desses, chamada The Darkness.
Meu amigo diz que aquela geração, pré-adolescente em 80, agora move a nossa economia. Quer dizer que meninas e meninos que viveram sob o jugo dos coques e basqueteiras, hoje têm o poder nas mãos. Esse pessoal impulsiona o pensamento retrô, da lembraça do supertrunfo, do Banco Imobiliário, do recorde de vendas de qualquer coletânea da Legião Urbana, da Malu Máder nas páginas da Fama, do filme sobre o Cazuza.
Tudo que remete aos anos 80 tem muitas chances de dar certo porque os jovens de 80, hoje têm carteiras de couro recheadas de poder de compra, e é real, com todos os zeros no lugar, sem gatilho e inflação.
Aceitando a tese de meu amigo, e a despeito do alívio irresistível provocado pela nostalgia, é doloroso admitir que hoje os tempos são outros. A euforia do retorno ao tempo da Vovó Mafalda pára no relógio, pontualmente às 5h e 60, quando a gente vê que os anos 80 voltam como quaisquer outros “anos”. A estética volta, a moda volta, a música volta, o cinema se interessa e volta, as emoções também voltam, mas os tempos não voltam de verdade.
Négo sem renegar, o tempo e a poesia do Cazuza. Hoje, dá pra dizer que nossos ídolos não morreram de overdose, boa parte deles morreu de Aids como ele ou então se espatifaram em um monte de concreto. Nossos companheiros estão no poder e ideologia anda meio de modé,deixou de ser essencial pra viver.