9 de jul de 2012

A crônica do noticiário ou a justiça quando tarda é porque já falhou.

O ex-governador, político e poeta paraibano Ronaldo Cunha Lima morreu, no sábado (07 de julho), em consequência de um câncer no pulmão. Junto dos também falecidos Antônio Mariz e Humberto Lucena, Ronaldo teve atuação destacada na redemocratização no país e em nosso pequeno e atrasado Estado.

A despeito das justas homenagens ao homem público, dos ritos e cerimoniais merecidamente dedicados ao ex-governador por autoridades e instituições de nosso Estado, na cobertura da imprensa faltou uma análise mais crítica e menos apaixonada da biografia de Ronaldo Cunha Lima. Vou tentar.

A primeira lembrança que tenho do político Ronaldo Cunha Lima é uma de suas mais marcantes performances como orador, no programa Sem Limites da extinta Rede Manchete em 1988. Expert na retórica e dono de uma memória invejável, o então prefeito de Campina Grande deu show de conhecimento sobre a vida e obra de Augusto dos Anjos em um desafio de perguntas e respostas ao estilo "Quem quer ser um milionário?"

Os anos que se seguiram consolidaram Ronaldo Cunha Lima como um dos ícones da política local até o fatídico episódio conhecido como Caso Gulliver - quando baleou o antecessor, Tarcísio Burity. Até hoje lembro da manchete em letras garrafais do Correio da Paraíba no dia seguinte ao atentado: "EM DEFESA DA HONRA". A tentativa de assassinato em 93 e, mais tarde, o rompimento com o Governador José Maranhão em 98 - no que se convencionou chamar de Crise do Clube Campestre, transfiguraram a imagem de Ronaldo: de democrata à coronel.

Viveu até os últimos dias de vida a fugir da justiça, elegeu-se senador e deputado federal e beneficiou-se como poucos da imunidade parlamentar. Em 2007, renunciou ao mandato de Deputado para escapar de ação penal movida pelo ministro Joaquim Barbosa no STF. A manobra visava basicamente transferir o processo para a justiça comum e, sobretudo, trazê-lo de volta à Paraíba, onde poderia usar sua influência para protelar o julgamento. E assim foi...

Ronaldo Cunha Lima atirou à queima-roupa contra Tarcísio Burity, em um local público repleto de testemunhas e morreu sem passar um dia sequer na cadeia. Na TV, ainda no sábado - dia de sua morte, a reportagem que cobria pêsames, soluços e discursos em seu funeral acabou e, na sequência, a atração era a notícia de que em apenas 24 horas, 6 pessoas já haviam sido assassinadas na grande João Pessoa.



2 comentários:

Igor Tadeu disse...

Na falta de um bom comentário para justificar a apreciação do texto, vai um apertada no botão inexistente aqui: LIKE (Y).

celso muniz disse...

mais grave do que a manchete do correio, foi a da união: incidente no gulliver. quando ronaldo atirou em burity, a imprensa paraibana tomou o coice ao contrário, de acordo com as conveniências da qual se alimenta, se empanturra, e se caga em enormidades, apesar da pobreza da sua dieta. até mesmo o espaço a mim concedido pelo o norte, o foi, não em nome do bom jornalismo, mas da oportunidade de tirar partido da pólvora alheia, como tiro à culatra, especialidade na qual também seria praticante. não deixa de ser irônico, afinal, fui demitido da secretaria de redação de o norte, justamente por ter escrito contra burity, seu secretário de comunicação e secretário de segurança, a propósito do episódio de bombas de gás em alagamar. mas não estou aqui a tecer loas próprias. o resumo da ópera, é que a paraiba, como convém, caiu-se em penas ao ronaldo - por extensão a seu filho, que nem é o caso de dizer tal pai tal filho, porque não tem passado que não seja fralda cagada - neste caso até o burity que o perdoou depenou-se em cabidela. por estas e outras passei a achar que o tiro foi mal dado também noutra ótica. o problema - político - do perdão é que para evitar o olho por olho dente por dente, ele acaba por deixar a todos cegos e banguelas nos seus dois canos de eufemismos de mira doze por uma dúzia.