21 de jun de 2004

SAVE FERRIS

Um amigo, redator de publicidade, vem desenvolvendo uma tese (de botequim) a respeito da volta por cima dos anos 80.
O minimalismo do rock oitentista, os Strokes, a moda das linhas heritage/vintage de todas as marcas e até coisas como o glam rock parece que estão dando certo, vide o caso de uma banda e suas calças de couro que vi na MTV dia desses, chamada The Darkness.
Meu amigo diz que aquela geração, pré-adolescente em 80, agora move a nossa economia. Quer dizer que meninas e meninos que viveram sob o jugo dos coques e basqueteiras, hoje têm o poder nas mãos. Esse pessoal impulsiona o pensamento retrô, da lembraça do supertrunfo, do Banco Imobiliário, do recorde de vendas de qualquer coletânea da Legião Urbana, da Malu Máder nas páginas da Fama, do filme sobre o Cazuza.
Tudo que remete aos anos 80 tem muitas chances de dar certo porque os jovens de 80, hoje têm carteiras de couro recheadas de poder de compra, e é real, com todos os zeros no lugar, sem gatilho e inflação.
Aceitando a tese de meu amigo, e a despeito do alívio irresistível provocado pela nostalgia, é doloroso admitir que hoje os tempos são outros. A euforia do retorno ao tempo da Vovó Mafalda pára no relógio, pontualmente às 5h e 60, quando a gente vê que os anos 80 voltam como quaisquer outros “anos”. A estética volta, a moda volta, a música volta, o cinema se interessa e volta, as emoções também voltam, mas os tempos não voltam de verdade.
Négo sem renegar, o tempo e a poesia do Cazuza. Hoje, dá pra dizer que nossos ídolos não morreram de overdose, boa parte deles morreu de Aids como ele ou então se espatifaram em um monte de concreto. Nossos companheiros estão no poder e ideologia anda meio de modé,deixou de ser essencial pra viver.

Um comentário:

Igor disse...

acho q esses revivals de épocas com os anos 60 e 80 são frutos de como a gente tá estagnado culturalmente, talvez seja a falta de poderes opressores como a ditadura, ter com o que se revoltar é o que movimenta culturalmente a sociedade, no caso os jovens. O poder opressor era um grande estimulante cultural para os jovens, seja em qualquer arte, na música, literatura. Faziam eles pensarem. O tédio é contra revolucionário, e hoje todo mundo é conformado com as coisas, o que nos resta é relembrar.